Lição 07 – Uma prova de fé – a entrega de Isaque

Texto base: Gênesis 22.1-11

               Na jornada de fé que Abraão estava passando com Deus, fazia com que ele aos poucos, fosse conhecendo mais e mais o seu Criador. Se Isaque estava com doze ou treze anos agora, Abraão já estava há quase 40 anos servindo o Deus verdadeiro. Mas creio que Abraão não estava preparado para o pedido inusitado que Deus lhe faria. Em um belo dia como outro qualquer, quando tudo estava bom e calmo na pacata vida de Abraão, Deus resolveu agitar um pouquinho as coisas: “E aconteceu, depois destas coisas, que tentou Deus a Abraão e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui” (Gn.22:1). Tentou é uma palavra forte. A referência de (Tg.1.13,14) diz que Deus a ninguém tenta. Outras traduções colocam assim: “pôs Deus Abraão à prova” (ARA/NAA/NTLH/NVI/NVT/KJA/BJ); “provou” (ACF); “experimentou” (TB); “Deus resolveu testar a Abraão” (A Mensagem). E aí tudo mudou.

               Aí veio a proposta, que parece ter vinda direto de Satanás, mas na verdade, veio de Deus, e Abraão sabia que a voz que ele estava ouvindo era de Deus e não do inimigo. “ E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi” (Gn.22:2). Bom, Deus não quis deixar dúvidas sobre quem ele queria. Teu filho, teu único filho (?), Isaque (chamou pelo nome), a quem amas (sabe o seu preferido? Então, é esse mesmo). Vai até Moriá (cerca de 80 km de distância de onde ele estava [Berseba]) e oferece-o (me dê) em holocausto (palavra que significa queimar até o fim) para mim.

               Pergunta: Por que será que Deus fez tal pedido a Abraão? Sacrifícios humanos eram proibidos, mas isso viria com a Lei de Deus em (Lv.18.21; 20.3; Dt.12.31), mas sacrifícios humanos já eram registrados no antigo Egito, cerca de mil anos antes de Abraão, onde durante a primeira dinastia, cortesãos eram mortos e enterrados juntos com os governantes, para o servirem na outra vida (será que Abraão viu essa prática quando lá esteve?). Não precisa ser muito espiritual para ver que isso é errado. Por que então Deus pediu isso a  Abraão? Creio que o motivo desse pedido inusitado seria porque Abraão, estava priorizando o relacionamento com o seu filho igual ou acima ao relacionamento que ele tinha com Deus, por isso, Deus deu um ultimato: quem você prefere, ele ou eu?

               Não sei como isso foi recebido na hora por Abraão, se ele estranhou o pedido, se ele fez uma careta, se ele balançou a cabeça ou se perguntou que tipo de pedido era esse, mas eu não tenho dúvidas de que ele sabia que era Deus falando e que ordem dada precisava ser ordem cumprida. Ele não posterga, ele não rebate, ele não discute. Se é isso que quer, eu obedeço. Simples assim. Será que teríamos essa mesma disposição se Deus nos pedisse algo assim, tão inusitado?

               Veja bem, eu acredito que depois da Lei impressa, Deus não poderia ir contra a sua própria Palavra, mas ainda assim, Deus poderia “pedir” um filho seu, levando-o para a eternidade e o que você faria a respeito? O que poderia fazer? Aceitar resignado a vontade superior. A ordem natural das coisas é que os filhos enterrem os pais, mas às vezes Deus inverte a ordem, e os pais precisam enterrar o filho. A dor deve ser dilacerante, inominável, mas se Deus é primazia em nossa vida, ele deve ocupar o primeiro lugar, independentemente de algo ou alguém que você muito ama.

Sim, existem pessoas que amam coisas físicas: casa, carro, bicicleta, celular de última geração, obras de arte, etc. Já outras amam coisas abstratas como emprego, posição, credencial, livros, diplomas, etc. E outras amam pessoas como mães, pais, amigos, namoradas, maridos, esposas e…filhos. Será que existe algum amor maior do que a de um pai e uma mãe para o seu filho? Difícil dizer (Is.49.15). Eu acredito que o maior amor deva ser o amor conjugal. Mas você como pai pode discordar.

“Então, se levantou Abraão pela manhã, de madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou consigo dois de seus moços e Isaque, seu filho; e fendeu lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao lugar que Deus lhe dissera” (Gn.22:3). O que está faltando aqui? Parece, ao que tudo indica, que Sara não é comunicada do pedido de Deus. Abraão sai de fininho, de madrugada levando a Isaque e dois de seus moços, rumo a Moriá, distante 80 km de distância, ou seja, uma viagem de três dias de caminhada com o jumentinho carregando a lenha. O cantor Alceu Pires fez dessa passagem um dos mais lindos poemas da hinário gospel, lançado em 1987:

Cabisbaixo, e pensativo ele vai

É normal os sentimentos de um bom pai, segue adiante

Cada toque do seu cajado no chão

Lhe doía mais o velho coração, mas confiante

A divina providência acontecer

Poderia ver em tempo, então descer, vindo dos altos céus

Todavia vai chegando a Moriá

Sua joia mais preciosa entregar em sacrifício para Deus

Vai Abraão, vai Abraão

               Abraão também não revela a seu filho, Isaque, que a oferta, no caso, era ele próprio. Por isso o jovem, percebendo a falta da oferta, questiona a Abraão:

Pelas matas passarinhos a cantar, borboletas pelos campos revoar

Segue em frente

Para Isaque que seguia logo atrás

Tudo aquilo para ele era paz, inocente

De repente o silêncio de Abraão

Foi quebrado por uma interrogação: Era o filho seu

Ó meu pai, a lenha, e o fogo aqui está

E o cordeiro onde vamos encontrar? E Abraão lhe respondeu

Deus proverá, Deus proverá

               Essa resposta é de alguém muito maduro na fé, na minha opinião. Ao chegar no monte designado Abraão deixa os moços em um local aguardando: “Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; e, havendo adorado, tornaremos a vós” (Gn.22:5). Note que ele disse iremos, adoraremos e tornaremos, tudo no plural. Eu acredito que Abraão sabia que Deus não poderia deixar de cumprir a sua promessa. Para isso, Abraão precisaria cortar a garganta de seu filho, desmembrá-lo, aspergir todo o sangue e colocar fogo nas partes. A fumaça que subia era o que Deus recebia como cheiro agradável. Para que a promessa se cumprisse em Isaque, Deus precisaria transformar a fumaça em cinzas, as cinzas em carnes despedaçadas, juntar todos os membros do corpo, colocar nesse corpo o espírito novamente e ressuscitar Isaque dentre os mortos. Só assim eles tornariam para os moços. Fé incrível essa, não (Hb.11.17-19)

               O comentarista da lição, pastor Elinaldo Renovato conclui: “Isaque se tornou um exemplo de fé e obediência. Quando o Anjo do Senhor bradou a seu pai que não o matasse, Isaque viu que Deus provera um cordeiro, preso no mato, que foi oferecido em seu lugar (tipo de Cristo, que morreu em nosso lugar) (Gn.22.13). Se Abraão é chamado de “O Pai da Fé”, cremos que Isaque pode ser chamado de “O Pai da Obediência”.

               Ainda Renovato: “Neste capítulo, podemos ver que um homem de Deus, como Abraão, experimentou provas e desafios muito grandes e pesados em sua vida. Deus, em sua imensa bondade, não trata as pessoas de modo igual, mas sabe chamá-las, prová-las e usá-las de diversas formas, considerando a fé de cada uma e o propósito que tem para suas vidas. Um precioso trecho da Bíblia diz que “Não veio sobre vós tentação [provação], senão humana; mas fiel é Deus, que vos não deixará tentar [provar] acima do que podeis; antes, com a tentação [provação] dará também o escape, para que a possais suportar” (1 Co 10.13). Qualquer coisa diferente disso é mera desculpa esfarrapada.

Referências bibliográficas

https://pt.frwiki.wiki/wiki/Patriarches_%28Bible%29

VOGELS. Valter, Abraão e sua lenda. Edições Loyola. São Paulo. 2000

RENOVATO. Elinaldo, Editora CPAD. Rio de Janeiro. 2026. 1ª Edição.

 

Por: Geisel de Paula

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