Lição 10 – A experiência transformadora de Jacó

Por: Geisel de Paula

Texto base: Gênesis 28.10-17

               Em aulas passadas aprendemos lições importantes, como a de um conselho de uma esposa que não soube descansar na promessa de Deus, influenciando o seu marido a se deitar com sua serva, trazendo daí muitos males até o dia de hoje. Nesse episódio vamos ver que a atitude de uma mãe mudou completamente a vida de seu filho (na verdade dos dois), despedaçando a família por algo que Deus tinha a responsabilidade de fazer, e não ela. Eu pergunto: De que forma Deus iria fazer com que a promessa de que o maior serviria o menor se cumprisse? Bom, isso era problema de Deus. Em sua fala a Rebeca, ele não disse que a benção seria do mais novo a qualquer custo. Ele disse: “…um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor”.

              O modus operandi de como isso se sucederia não era problema de Rebeca e sim de Deus; além do mais, o próprio Esaú já tinha vendido o seu direito a primogenitura. Já não era mais dele. Quando Isaque o chamou para fazer-lhe um guisado ao seu gosto “para que minha alma te abençoe antes que eu morra”, Esaú sabia do que se tratava, e não comunicou a Isaque: “Não, meu pai, a benção já não é minha, porque eu vendi para Jacó. Quem merece a benção da primogenitura é ele e não eu”. Ele simplesmente saiu em busca da caça porque estava sim interessado na bênção de seu pai.  Família bem disfuncional essa (Gn.27.36).

              Jacó precisa fugir pois corre risco de morte. Parte de Berseba a caminho de Harã, uma caminhada de mil quilômetros (São Paulo – Brasília). De Berseba a Betel, onde Jacó teve a visão (sonho) da escada e onde fez um voto com Deus, distava cerca de 120 km. A expectativa é de que a viagem tenha durado entre 20 dias (se viajasse cerca de 40 km por dia) e dois meses, dependendo das condições e do ritmo da caminhada. Jacó não tinha mais tenda, colo da mãe, aconchego, alimento fácil, servos, locais que lhe era familiares. Tudo era novo, tudo era incerto, tudo demandava sua atenção. Ele estava só. E assim seria pelos próximos vinte anos.

             Jacó devia estar muito cansado pois depois que o sol se pôs, achou um cantinho para passar a noite, pegou uma pedra como travesseiro, se deitou, dormiu e sonhou. E parece que isso o perturbou muito. O comentarista Beacon diz assim: Antes desse episódio, parece que Jacó nunca teve muita consideração pela vontade de Deus para ele. Depois dessa experiência, sua vida foi dominada por um interesse profundo pela vontade divina”. O texto assim relata: “E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela;” (Gn.28:12). Que lições podemos aprender desse primeiro sonho registrado na Bíblia Sagrada?

            O que Deus quis dizer com esse sonho? O que significa a escada que toca o céu? Será que a escada era rolante? Será que anjo precisa de escada? Qual o propósito por trás disso tudo? A escada representa a conexão entre o céu e a terra, entre o mundo natural e material e o mundo sobrenatural e espiritual. Mas acredito piamente que Deus queria se revelar a Jacó, pois para Jacó, o Deus de sua família era o Deus de Abraão e o Deus de Isaque, mas ainda não era o Deus de Jacó. A famosa expressão Eu sou […], o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó” iria aparecer apenas em (Êx.3.6), quando Deus novamente se revela, dessa vez para Moisés.

              O texto continua dizendo que “anjos de Deus subiam e desciam por ela [escada]” (v.12). Parece que a ordem dos fatores é essa: pedido/súplica = resposta. Por isso os anjos subiam e desciam. Matthew Henry diz assim dessa passagem: “Eles sobem, para prestar contas do que fizeram, e para receber ordens. E então descem, para executar as ordens que receberam”. Mas o mais importante vem depois: o que importa é quem se encontra no alto, no topo: “E eis que o Senhor estava em cima dela” (v.13 a). O sonho foi tanto visual quanto audível porque Deus se pronunciou: “Eu sou o Senhor Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaque; esta terra, em que estás deitado, darei a ti e à tua descendência; E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra; E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado” (Gn.28:13-15).

             Note que o Senhor se declara como Deus de Abraão e de Isaque somente. Depois ratifica que a terra onde está deitado (Luz/Betel) será dada a sua descendência e que os seus descendentes serão como o pó da terra nos quatro pontos cardeais. Prometeu companhia no caminho e retorno seguro. Só não disse quando se daria isso. Então Jacó acordou. E foi impactado com a visão que teve: “Na verdade o Senhor está neste lugar; e eu não o sabia” (Gn.28:16). Ele temeu (teve medo): “Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus” (Gn.28:17).

             Interessante notar que Deus se revelou a Jacó em um dos piores momentos de sua vida. Jacó estava sem casa, sem cama, sem travesseiro, sem família, sem suprimentos, sem a certeza de que seria bem-sucedido em sua empreitada, sem pai nem mãe e nem irmão, que estava furioso com ele. E faltava a Jacó um relacionamento com o Deus de seu pai e de seu avô. Jacó descobriu que no meio desse caos, Deus ainda estava no controle de tudo. Ele apenas não havia percebido. Jacó chegou à conclusão de que ali era a ‘casa de Deus’ e ‘a porta dos céus’. (Gn.28.17). Isso tudo é um símbolo para a pessoa bendita de Jesus! 

               Qual será que foi o momento de virada, o turning point na vida espiritual de Jacó? Será que foi o sonho da escada ou a luta com o anjo que vai acontecer daqui a 20 anos? Será que sua vida mudou somente quando Deus lhe mudou o nome, de Jacó para Israel? De Jacó (suplantador) para Israel (aquele que luta com Deus)? Então, vejamos: Quantas vezes aparece no texto sagrado a expressão “Deus de Abraão, Deus de Isaque e Deus de Jacó” e as suas variantes? Cerca de trinta vezes, dentre as quais uma dita pelo próprio Senhor Jesus Cristo (Mt.22.32; Mc.12.26; Lc.20.37)? E quantas vezes aparece na Bíblia a expressão “Deus de Abraão, Deus de Isaque e Deus de Israel”? Apenas uma única vez (IRs.18.36). O que eu quero dizer com isso? Ao que parece, é possível haver um relacionamento com Jacó, cheio de altos e baixos. O ideal é que você vire um Israel, mas é plausível você ser Jacó e ainda assim  chamar Deus de seu Deus, ou seja, o Deus de Jacó. E isso é confortante para nós, ‘Jacós’ dessa geração.

               Ao que tudo indica, Jacó saiu diferente daquela noite. Talvez, ele nunca mais foi o mesmo. E a maneira que ele achou de eternizar de alguma forma esse momento, foi a de se levantar pela manhã de madrugada, tomar a pedra que lhe tinha servido de travesseiro (algo nada confortável, uma experiência dolorosa) e a erigiu por coluna, derramando azeite em cima dela (essa é a primeira referência sobre unção, ou algo que é ungido na Bíblia), fazendo daquele lugar um altar para, agora, o Seu Deus (a partir de agora, Deus de Jacó), e mudou o nome daquele lugar que se chamava Luz, para Betel, que significa “Casa de Deus” (Gn.28.18).  No futuro aquele lugar seria um local de adoração.

               Jacó então fez um voto a Deus, e mais uma vez é a primeira referência bíblica que temos registro, de alguém pedindo alguma coisa prometendo devolver outra, caso consiga o seu intento. Essa cultura ganhou notoriedade com o passar do tempo, e Salomão dita a sua importância (Ec.5.4,5) e Jesus diz quase a mesma coisa a respeito de juramentos (Mt.5.33-37). O que ele pediu?

               “Se Deus for comigo” (parece que tem uma terceira pessoa ali), nessa parte o que um solitário quer é presença, talvez a coisa mais importante nesse momento. “e me guardar nesta viagem que faço”, importante frisar que Deus já havia prometido isso (v.15), será que Jacó está com amnésia?  “E me der pão para comer e vestes para vestir”, parece-me o básico, assim como Jesus ensinou a orar: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”. “E eu em paz tornar a casa de meu pai”, outra promessa que Deus já havia lhe feito. Engraçado que Jacó não incluiu no voto ver a sua mãe novamente, e por isso ele nunca mais a viu. Dada as quatro condições, Jacó fala a sua parte no acordo: “O Senhor será o meu Deus”, “e esta pedra que tenho posto por coluna, será casa de Deus” “e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo” (Gn.28.22). Único exemplo que tinha é de seu avô para Melquisedeque. A pergunta fica: para quem Jacó pagaria? Fica a dúvida.

Referências bibliográficas

https://pt.frwiki.wiki/wiki/Patriarches_%28Bible%29

VOGELS. Valter, Abraão e sua lenda. Edições Loyola. São Paulo. 2000

RENOVATO. Elinaldo, Homens dos quais o mundo não era digno – O legado de Abraão, Isaque e Jacó. Editora CPAD. Rio de Janeiro. 2026. 1ª Edição.

https://lorenaporto.home.blog/2020/04/27/direito-de-primogenitura/

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