
Lição 07 – Uma prova de fé – a entrega de Isaque Texto base: Gênesis 22.1-11 Na jornada de...
Lição 01 – Abraão, seu chamado e sua jornada de fé
Texto base: Gênesis 12.1-9
Antes de entrarmos propriamente na vida de Abraão, precisamos entender um pouco sobre o contexto histórico de então. Não tem como sabermos quanto tempo se passou entre o primeiro casal habitar o Jardim do Éden e o pecado entrar na raça humana contaminando toda a criação de Deus. Não sabemos se foi questão de horas, dias, semanas, meses ou até anos, já que o tempo não precisava ser contado para seres que tinham toda a eternidade diante de si. Eu acredito que o tempo só foi contado com a entrada do pecado no mundo. Levando isso em podemos chegar a algumas conclusões:

Adão viveu 930 anos depois do pecado e morreu. Sete, seu filho, viveu 912 anos; Enos, 905; Cainã, 910; Maalalel viveu 895; Jarede 962 e Enoque 365 anos. Matusalém viveu 969 anos, foi o que mais viveu; Lameque 777; e Noé, 950, e nesse ínterim, aconteceu o dilúvio. Após esse drástico acontecimento, a expectativa de vida começou a decair. Sem, 600 anos; Arfaxade, 438; Selá 433; Éber, 464; Pelegue 239; Reú, 239 anos também. Serugue, 230 anos; Naor, 148, Terá, 205 e Abraão, 175 anos.
Algumas resoluções: Adão, o nosso primeiro pai, foi contemporâneo de Enoque, o que foi trasladado. Enoque foi contemporâneo de Matusalém, o homem que mais viveu na terra, e Matusalém foi contemporâneo de Sem, filho de Noé, que por sua vez foi contemporâneo de Abraão, o nosso pai da fé e objeto desse presente estudo.
Adão conheceu Deus “pessoalmente”, e transmitiu isso para os seus filhos. O conhecimento de que existe um Deus, um Ser criador, um dominador de tudo a quem devemos adoração. A coisa se degringolou rapidamente pois cerca trezentos anos depois (entre a sua morte e a decisão divina de acabar com o mundo pelo dilúvio) a humanidade ao que parece, havia se esquecido de Deus, ou pelo menos viva como se ele não existisse (Gn.6.5-8,11,12). Noé e sua família foram os únicos no reset que Deus deu na humanidade. Bem, a coisa já não deu muito certo logo depois de saírem da arca, como devem se lembrar, foram cerca de mais alguns séculos, 400 anos mais ou menos, a população da terra foi dispersa pela confusão das línguas daquilo que foi conhecido como Torre de Babel, e cerca de 100 anos depois, a humanidade já estava entregue novamente, desta vez, a idolatria.
Josué em seu livro, vai dizer no capítulo 24 em seu discurso final, que a família de Abraão servia a outros deuses (Js.24.2). A tradição judaica chega a dizer que a família de Abraão e o próprio Abraão eram fabricantes de ídolos, o que coaduna com o formidável senso de humor de Deus. Escolher um idólatra para começar a servir o Deus único. Escolher um politeísta em um mundo de politeístas para iniciar o processo de monoteísmo, ou seja, adorar a apenas um único Deus. Foi assim que Deus chegou em Abraão, na verdade foi assim que ele chegou em Abrão, como era chamado na época. Chegamos assim ao capítulo 12 do livro de Gênesis.
Abrão era da cidade de Ur, dita dos caldeus. O escritor Valter Vogels, em sua obra ‘Abraão e suas lendas’, diz que poderia se dizer ‘Ur dos sumérios’, que ficava no sul da Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, onde hoje fica o Iraque. Pioneiros na organização urbana, criaram cidades-estado independentes como Ur e Uruk, a escrita cuneiforme (1ª forma de escrita), sistemas de irrigação e avanços em matemática e astronomia (zigurates), baseando sua economia na agricultura (foram eles que inventaram a roda e o 1º código de Leis).
Abrão ouviu a voz de Deus, por volta do ano 1800 a.C., chamando-o para ser um dos personagens mais importantes da história sagrada, descrita na Bíblia. Ele se encontrava com seu pai, em Harã, uma cidade importante do Império Assírio, embora a Assíria não fosse império na época. Hoje, corresponde à cidade de Harran, ao sul da Turquia, mas, na verdade, Deus olhou para Abrão desde quando ele estava na terra de seus pais, na Caldeia.
Deus tem um método de escolhas muito estranho. Antes de você concordar comigo, quero dizer que ele escolheu você, e isso pode soar estranho pra caramba. De todas as pessoas na terra que ele poderia escolher para se revelar, ele escolhe um senhor de 75 anos, com residência fixa, casado e sem filhos com certo grau de riqueza acumulada. Estranho, né? Como será que se deu esse chamado? Uma voz audível? Uma convicção no coração e na mente? Um anjo lhe apareceu? Um sinal natural ou sobrenatural? Não sabemos. Fato é que Abrão sentiu que precisava obedecer a aquela voz interior que era mais forte do que tudo.
Toda promessa vem atrelada com uma condição. Ou podemos inferir o contrário. Toda exigência disposta por Deus vem atrelada com uma promessa. A exigência requerida seria essa: “Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gn.12:1). A exigência consistia em mudar o local físico de sua habitação, abandonar todos os parentes e laços sanguíneos, deixar para trás laços com o seu próprio pai, ainda antes da morte deste, e o mais difícil em minha opinião: sair sem ao menos saber para onde ia, sem destino certo, sem rumo: “para a terra que eu te mostrarei”, ou seja, ‘vá indo que no caminho eu te falo’.
Deus escolhe alguém para que esse alguém exerça a fé nele. Fé em um Deus invisível, que não pode ser mostrado em imagem de escultura, fé em sua voz que falou apenas ao seu coração, fé que o que ele está pedindo, apesar de ser difícil, talvez tenha um aprendizado pedagógico, e fé que ele vai provendo NO caminho e não apenas NO destino. Abraão teve que aprender tudo isso na raça, um verdadeiro proto-crente. Não é à toa que foi chamado de pai da fé, não porque a fé se iniciou com ele, mas porque a fé foi aperfeiçoada nele. A experiência da vida cristã, ou num relacionamento com Deus, nos mostra que, para a fé ser aprovada pelo Senhor, normalmente, ela tem que ser provada. Nunca alguém pode dizer que tem fé se não passar por momentos de prova em sua vida. Abrão viveu isso na prática.
A promessa segue depois: “E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn.12:2,3). A promessa chega a soar risível em certo sentido. Promete uma descendência para alguém sem filhos. Em tempo ainda, mas com o prazo de validade quase vencendo, principalmente para Sarai, sua esposa.
Segundo o comentarista Elinaldo Renovato, “Antes de chamar Abrão, Deus se revelava a um povo único na Terra. Não havia distinção entre gentios e judeus ou israelitas. Porém, a partir do chamado de Abrão, a promessa de Deus foi a de fazer dele, ou a partir dele, “uma grande nação”, que se tornou a nação israelita, ou dos judeus. Ele é considerado o primeiro patriarca de Israel. Por isso, também é chamado de ‘o pai da nação de Israel’”.
Ainda Renovato: “’[…] o abençoar-te-ei’ – Uma das características mais marcantes de Deus no relacionamento com seus servos é a de abençoador. Ele tem prazer em abençoar os que o amam e o servem “em espírito e em verdade” (Jo 4.23). Abrão, cujo significado era, em hebraico, “pai exaltado”, era o nome original de Abraão, que foi mudado quando ele tinha 99 anos, com o novo significado de “Pai da multidão de nações”. Seu nome foi engrandecido por Deus de forma que ele nunca imaginou”.
Segundo Renovato: “Deus prometeu fazer dele “uma bênção” (Gn 12.2d) – A cada pessoa chamada por Deus para alguma missão há um preço a pagar, em termos espirituais, emocionais e de outras ordens, mas também Deus tem propósitos elevados e promessas gloriosas para aqueles que são chamados. Abrão não foi apenas uma bênção para Israel e para toda a humanidade. Ele foi uma bênção para sua família. Isaque e Jacó se tornaram nomes influentes na história dos hebreus, da igreja e do mundo. Eles foram beneficiários das promessas de Deus a Abrão”.
O pastor Elinaldo Renovato, conclui: “Se não bastasse tamanha amplitude das promessas divinas a Abrão, Deus disse a ele: “E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Será que com isso, podemos dizer que aqueles que abençoam a Israel serão abençoados e aqueles que amaldiçoam a Israel serão amaldiçoados por Deus? Com isso, muitos têm justificado o injustificável quando diz respeito a nação de Israel. O pastor Renovato vai dizer que é por isso que os EUA são um país tão abençoado em todos os sentidos, e o Irã, ao contrário, não é”.
Abraão então foi habitar em Siquém, onde o Senhor apareceu a ele nos carvalhais de Manre: “E passou Abrão por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré; e estavam então os cananeus na terra. E apareceu o Senhor a Abrão, e disse: À tua descendência darei esta terra. E edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera. E moveu-se dali para a montanha do lado oriental de Betel, e armou a sua tenda, tendo Betel ao ocidente, e Ai ao oriente; e edificou ali um altar ao Senhor, e invocou o nome do Senhor” (Gn.12:6-8). Parece um padrão aqui: onde Deus aparece Abrão levanta um altar, um local de culto.
Renovato indaga: “Depois que Abrão chegou a Canaã, deparou-se com um acontecimento frustrante. “Essa é a primeira fome a ser registrada na Bíblia, na história da humanidade”. Várias pessoas acompanharam Abrão e sua família, além de animais, que dependiam de seus cuidados. Diz a Bíblia: “E havia fome naquela terra; e desceu Abrão ao Egito, para peregrinar ali, porquanto a fome era grande na terra” (Gn 12.10). O problema da fome era tão grande que Abrão teve que sair de Canaã e buscar refúgio no Egito (cf. Gn 12.11a). Um grande problema se apresentou diante de Abrão quando ele se encontrava no Egito. Num momento, provavelmente, de falta de fé, o patriarca teve receio de que Sarai, mesmo com 65 anos, sendo uma mulher formosa, cuja beleza chamava a atenção, fosse cobiçada pelo Faraó. Abrão, assim, orientou sua esposa para que, ao entrar no Egito, dissesse que era sua irmã. Diz o texto bíblico: “e será que, quando os egípcios te virem, dirão: Esta c a sua mulher. E matar-me-ão a mim e a ti te guardarão em vida. Dize, peço-te, que és minha irmã, para que me vá bem por tua causa, e que viva a minha alma por amor de ti” (Gn 12.12-13). Certamente, foi uma situação constrangedora. O homem de Deus orientar que sua esposa mentisse, para poupar a sua vida. Onde estava o homem de fé”?
Ainda Renovato: “O texto diz que, quando os egípcios viram a Sarai, com sua beleza singular, disseram esse fato ao Faraó. Este mandou chamar Sarai e a tomou para sua casa. “E viram-na os príncipes de Faraó e gabaram-na diante de Faraó; e foi a mulher tomada para a casa de Faraó. E fez bem a Abrão por amor dela; e ele teve ovelhas, e vacas, e jumentos, e servos, e servas, e jumentas, e camelos” (Gn 12.15-16). Aqui, há interpretações diversas. Estudiosos dizem que Faraó se relacionou sexualmente com Sarai; por isso beneficiou Abrão com tantos bens. Outros dizem que Deus impediu que ele a tivesse como esposa”.
Renovato conclui: “Tal entendimento toma por base o texto seguinte, que diz: “Feriu, porém, o Senhor a Faraó com grandes pragas e a sua casa, por causa de Sarai, mulher de Abrão. Então, chamou Faraó a Abrão e disse: Que é isto que me fizeste? Por que não me disseste que ela era / tua mulher? Por que disseste: E minha irmã? De maneira que a houvera tomado por minha mulher; agora, pois, eis aqui tua mulher; toma-a e vai-te”. (Gn 12.17-19). O texto dá a entender que, de fato, Faraó tomou a Sarai por sua mulher. Algo muito estranho para uma serva de Deus, chamada para ser mãe de nações, ao lado de seu esposo. Fica claro que o Faraó repreendeu Abrão por faltar com a verdade e o despediu com Sarai, levando todos os bens que Faraó lhe concedera por causa da união ilícita com sua esposa”.
Como vimos, Abrão foi um homem escolhido por Deus para uma missão importantíssima. Como homem de fé, Abrão também falhou, mas, pela misericórdia divina, foi restaurado se tornando muito importante na Bíblia Sagrada.
Referências bibliográficas
https://pt.frwiki.wiki/wiki/Patriarches_%28Bible%29
VOGELS. Valter, Abraão e sua lenda. Edições Loyola. São Paulo. 2000
RENOVATO. Elinaldo, Editora CPAD. Rio de Janeiro. 2026. 1ª Edição.
Por: Geisel de Paula

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