Lição 03 – A impaciência na espera no cumprimento da promessa

Texto base: Gênesis 16.1-16

               Quem de vocês tem alguma promessa feita por Deus em profecia ou revelação ainda não cumprida? Como você está em relação a isso? Bom, primeiro temos que levar em conta se a promessa realmente foi feita por Deus, ou seja, tem a sua origem em Deus. Se não é de Deus, fatalmente não irá se cumprir. Agora se veio de Deus, por mais que demore, e confesso que na minha experiência, quase sempre demora, vai se cumprir. Olha o que diz Salomão em Provérbios 13.12: “A esperança demorada enfraquece o coração, mas o desejo chegado é árvore de vida (RC). E ainda na versão Transformadora: “A esperança adiada faz o coração ficar doente, mas o sonho realizado é árvore de vida”. Fato é que Deus prova a nossa fé muitas vezes para aguardar o cumprimento da promessa, assim como fez com Abrão.

               Muitas vezes, não é pelo simples fato de aguardar a promessa, mas sim de confiar mesmo rodeado de circunstâncias adversas. Abrão recebeu a promessa que teria uma semente, ou seja, uma descendência, aos 75 anos de idade. Vamos dizer que em nossa época, já não havia muita esperança, visto que Sarai era dez anos mais jovem, ou seja, a promessa foi transmitida quando ela tinha 65 anos de idade. Vamos entender que naquela época eles ainda fosse férteis. Fato é que a espera se prolongou para muito além do que na cabeça deles fosse razoável. Foram 25 anos até a promessa efetivamente se cumprir na vida do casal. Eles imaginaram que não seria mais possível.

               Nesse ínterim, acontece a Guerra dos 4 reis contra 5 onde Ló é levado cativo e Abrão precisa resgatá-lo. Na volta desse embate Abrão encontra-se com um dos personagens mais enigmáticos da Bíblia Sagrada: Melquisedeque. Ele, adorador de El Elyon (Deus Altíssimo) e Abrão adorador de El Shaddai (Deus Todo-Poderoso), e descobriram que serviam ao mesmo Deus. Alguns estudiosos vão dizer que Melquisedeque era Sem, filho de Noé, e por isso diz-se a respeito dele como aquele que não tinha genealogia (Hb.7.3). Como Melquisedeque não, mas como Sem, sim. Outros vão dizer que era uma teofania do próprio Cristo, e por isso Abrão lhe pagou o dízimo.

               Chegamos assim ao capítulo 15 do livro de Gênesis. Deus volta a falar com Abrão e reforçar aquilo que havia prometido, dizendo que era o seu escudo e o seu galardão (recompensa). Abrão então não aguenta e questiona Deus em suas dúvidas. “Se o Senhor vai me recompensar, gostaria de saber como (veja que o interesse dele passa longe do financeiro), visto que ando sem filhos (como se Deus não soubesse), e o meu herdeiro é o meu mordomo Eliezer (por que será que Abrão não considerava deixar a sua fortuna para o seu sobrinho Ló?).

               Então Deus faz algo inusitado com Abrão. Diz-lhe que o seu herdeiro não será Eliezer e sim aquele que dele será gerado. Então manda que Abrão saia para fora da tenda e conte as estrelas. Tarefa impossível, principalmente naquela época com um céu sem poluição e limpo. Deus então faz um novo pacto com Abrão: Pede para ele pegar uma bezerra de três anos, uma cabra de três anos, um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho. Abrão partiu-os ao meio com exceção das aves. Então aguardou. E Deus passou pelas metades (v.17). Não há registro de que Abrão tenha feito o mesmo. É como se Deus dissesse: “Eu me comprometo contigo, e mesmo que você não cumpra a sua parte, eu vou cumprir a minha. Lindo, né? Mas o tempo (não sei quanto, ao certo), fez com que Abrão esmorecesse novamente. Aí o Diabo agiu.

               No capítulo 16, influenciada pelo inimigo, Sarai propõe uma proposta irrecusável para Abrão, e ele como um adolescente com hormônios a flor da pele, caiu. Havia um escrava egípcia em sua casa, Hagar. Alguns estudiosos rabínicos disseram se tratar da própria filha de Faraó, que foi dada como presente a Abrão em sua estada no Egito. Difícil acreditar, mas enfim, devia ser uma mulher bem mais nova e bela da qual Abrão ficou interessado. A proposta era que Sarai tivesse filhos através dela.

Na opinião de Sarai, a resposta era o costume da pátria de onde vieram. Este costume dizia que a esposa sem filhos tem de oferecer ao marido uma criada para servir no lugar dela. A descendência seria considerada sua. Aparentemente, tinha tudo para dar errado, como de fato deu. O Pai da Fé não orou a Deus, buscando sua direção sobre o tal “arranjo”. A Bíblia diz que Abrão ouviu a voz de Sarai, sua mulher (Gn.16.2). como não recusar, não é mesmo? Dez anos havia se passado desde a promessa feita a Abrão. Eles haviam chegado no limite da espera. Preferiram dar uma mãozinha para Deus.

               Abrão então com 85 anos se relaciona com Hagar (?) e ela rapidamente, ao que tudo indica, fica grávida, e isso bastou para que ela começasse a tratar a sua senhora Sarai com desprezo. Sarai então devolve a invertida que Adão fez no Jardim do Éden: ‘a mulher que tu me deste…’. Sarai culpou Abrão pela situação. Ora, mas afinal de contas a ideia não foi dela? Não foi ela que jogou Hagar no colo de Abrão? Aprendemos aqui que a responsabilidade da iniciativa é sempre masculina. Se Abrão não cortou o mal na raiz, quando Sarai fez a proposta, então a responsabilidade era dele sim. Abrão se recusou a punir Hagar mas dá a Sarai a liberdade de fazer com Hagar o que quiser, e ela começa a tratar mal a sua serva a ponto de ela não aguentar e fugir de sua presença. Esta, sentindo-se grandemente constrangida e ameaçada, fugiu grávida e sem apoio daqueles que poderiam ajudá-la, num momento tão crítico de sua vida.

               É impressionante como Deus sempre conserta as nossas bagunças. Hagar podia ter sumido da história e nunca mais saberíamos dela e de seu filho, mas o Eterno envia um anjo para questioná-la: ‘De onde vem a para onde vai’? ‘Estou fugindo’- respondeu ela. O anjo então ordena que ela volte e se submeta a sua senhora e que se sujeite a autoridade dela, em outras palavras, que ela seja uma boa serva. De reboque veio a promessa: “Eu lhe darei tantos descendentes que será impossível contá-los”. Hoje, estima-se que existam mais de 500 milhões de árabes e seus descendentes vivendo no mundo todo. É muito mais do que existem de judeus! Deus ainda disse que seu nome seria Ismael e que ele seria bravo e mão dele seria contra todos e a de todos contra ele.

               Segundo o comentarista Elinaldo Renovato, “Hagar deve ter sentido grande surpresa e alívio, ao ouvir as palavras do Anjo. Refeita do impacto das promessas, a serva de Sarai, cheia de ânimo, expressou sua alegria. “E ela chamou o nome do Senhor, que com ela falava: Tu és Deus da vista, porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vê? Por isso, se chama aquele poço de Laai-Roi; eis que está entre Cades e Berede” (vs.13-14). Parece que Hagar acabou por conhecer o Deus de Abraão com esse episódio de amargura. Deu um nome a Deus que resumia o seu encontro com Ele.

               Na solene promessa a Agar, o Anjo declarou que o menino deveria ter o nome de Ismael, nome dado por Deus. Que privilégio! E o Anjo disse o significado do nome: “[…] e terás um filho, e chamarás o seu nome Ismael, porquanto o Senhor ouviu a tua aflição” (Gn 16.11). O significado do nome Ismael é “Deus ouviu” ou “Deus ouviu-me”. Ismael é, para os muçulmanos, um profeta. De fato, os muçulmanos reivindicam a primogenitura a Ismael, “pai dos árabes”. Interessante Deus considerar Isaque como primogênito e não Ismael. Deus queria que o filho fosse de Abrão E SARAI. Simples assim.

               Ainda segundo Renovato: “Como homem, Abrão teve falhas. Isso prova que ninguém é perfeito. Os anos passavam velozmente. Abrão e sua esposa ficaram impacientes pela demora do cumprimento das promessas de Deus. Sarai, em sua esterilidade, imaginou que poderia fazer um arranjo para “ajudar” Deus. E fez a proposta a seu esposo, que mesmo sendo um homem bem idoso, mas ainda vigoroso, na época, aceitou de pronto. E o “plano” humano foi posto então em prática”.

               Podemos tirar uma grande conclusão desse fato: Deus não precisa de arranjo ou atalho. Ele disse: “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá? (Is 43.13).

 

Referências bibliográficas

https://pt.frwiki.wiki/wiki/Patriarches_%28Bible%29

VOGELS. Valter, Abraão e sua lenda. Edições Loyola. São Paulo. 2000

RENOVATO. Elinaldo, Editora CPAD. Rio de Janeiro. 2026. 1ª Edição.

Por: Geisel de Paula

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