
Lição 06 – A aliança e as bênçãos da obediência Por: Geisel de Paula Texto base: Deuteronômio 7.6-13, 21-23 ...
Lição 05 – O grande mandamento
Por: Geisel de Paula
Texto base – Deuteronômio 6.1-9
O que realmente
diferencia o Deus judaico-cristão dos demais deuses? Como saber se o Deus que
servimos é o Deus certo, com tantos milhares de deuses que existem? Em 1º de outubro, um usuário da IA
de Elon Musk, chamada Grok, colocou uma imagem com várias figuras mitológicas e
religiosas e seus nomes: deuses nórdicos, indianos, chineses, japoneses,
astecas, incas, egípcios, persas, gregos, romanos, figuras judaicas, além de
Maomé e do próprio Diabo. Ele pediu par que a IA removesse referência a falsos
deuses e deixasse apenas o Deus verdadeiro. A IA deixou a imagem limpa com
exceção de apenas uma figura: Jesus Cristo. Como disse Jesus: “Se nós nos
calarmos, as pedras (silício) clamarão” – (Lc.19.40).
Agora tirando a
frieza da máquina, como podemos provar que o Cristianismo é realmente
diferente? Eu acredito que parte dessa resposta vem do fato de que o Deus
bíblico é um Deus relacional. A relação entre Deus-criatura vai muito além de
cuspir regras e sim e não. Não basta aparência, Deus requer o ser humano todo,
mente, comportamento e afetos, não pode se resumir em apenas conhecimento da
verdade sobre Ele, mas um relacionamento vivo, real e prático. E a melhor
maneira de demonstrar isso á através do amor, demonstrado em atos de fidelidade
e rendição. Isso envolveria o lar, o caminhar, o deitar e o levantar-se, com a
ciência de que o cumprimento desse mandamento envolve grandes promessas (Mt.22.37,38).
O chamado ao amor exclusivo de Deus
Será mesmo que o
mundo precisa de regras? Faça isso, não faça aquilo, isso pode, aquilo não
pode, veja, não veja, será que não seria mais fácil cada que cada um fizesse o
que quisesse como muitos pregam nos dias de hoje? ‘Se algo te faz feliz,
então é certo’, dizem. Será que realmente é proibido proibir? O que seria
do mundo se tudo funcionasse como parte dos progressistas sonham? Seria um
mundo anárquico, eu diria.
Deus revela seus
preceitos para que eles provoquem no povo um temor reverente. Não um temor de
medo, mas, sim, um ato de servir com reverência e obediência ao único e
absoluto Deus. Salomão disse que o temor do Senhor é o princípio da
sabedoria (Pv.1.7). Quem obedece ao Senhor terá resultados tanto em
quantidade quanto em qualidade de vida. Acredito que para os judeus que
primeiramente ouviram isso era uma condicional. Para nós, povo de Deus no Novo
Testamento, reflete o cuidado de Deus em nossas vidas, mesmo em meio as
dificuldades (Mt.28.20 parte b).
Parece que o
ser humano tem uma predileção por quebrar regras impostas, sejam de qualquer
natureza. No Jardim do Éden existia apenas uma regra e ainda assim ela foi
quebrada. Para que Israel fosse de fato uma nação, eles precisavam como
povo, ter uma lei, uma legislação, um conjunto de regras para seguir, e isso
aconteceu em Israel antes mesmo de terem um território para chamar de seu.
Agora essas leis podem nos soar como arbitrárias, pesadas, e até sem sentido,
mas fato é que estamos bem longe da cultura da época, e por isso muitas dessas
leis não fazem nenhum sentido para habitantes do século XXI. Mas preciso pensar
que para eles lá atrás, devia fazer todo o sentido do mundo.
Agora é importante
frisar que mais importante que a letra fria da Lei é o espírito da Lei (Rm.7.6;
Gl.6.2; Rm.8.2). Mais importante do que as proibições é o coração de quem
obedece. Mais do que a oferta de Caim, a rejeição começou no ofertante, ou
seja, o próprio Caim. Se não entendermos isso, os mandamentos sempre serão
pesados, quer na velha ou na nova aliança.
Uma certa feita um
escriba aproximou-se de Jesus com uma pergunta sincera. O texto está em Marcos
12.28-34. Mateus também relata em 22.35-40 de forma mais
resumida e também Lucas 10.25-27 mas com um sentimento de
autojustificação, que desencadeia a parábola do bom samaritano. A pergunta
sincera do doutor da Lei é essa: Qual é o primeiro de todos os mandamentos?
Os dez mandamentos não estão elencados em ordem de importância. É apenas uma
lista. O que o doutor da lei quer saber é qual dos mandamentos é o mais
importante. Pergunta capciosa, geralmente Jesus responde com uma devolutiva em
forma de pergunta (Mt.22.15-22), agora pergunta sincera, é diferente.
O conhecimento pode
gerar no coração do estudante uma certa arrogância. É quase que natural que
isso aconteça. Confesso que eu já fui picado por esse bichinho. Quem lê sabe
mais, fala melhor, escreve melhor, entende melhor as coisas, interpreta melhor
os sinais, sabe sair melhor de várias situações. Agora adquirir inteligência
não significa ao mesmo tempo adquirir sabedoria. Há pessoas que são
inteligentes mas não são sábias, e há pessoas sábias sem terem necessariamente
muito conhecimento. Quem adquire conhecimento pode cair no erro de achar que é
maior e melhor do que os outros. Você apenas está demonstrando que não tem sabedoria
alguma.
Meu avô quando era
vivo não tinha muito conhecimento, mas sabia olhar para o céu e interpretar de
forma muito eficiente como ficaria o clima no dia seguinte, e isso muito antes
de existir Climatempo. Um trabalhador da roça sem instrução ou um pescador analfabeto
tem muito a nos ensinar, por mais faculdades que venhamos a fazer na vida.
Conhecimento precisa gerar em nós a humildade do filósofo Sócrates: “Só sei
que nada sei”. E é isso que nós vemos nesse doutor da Lei que interroga a
Jesus.
Jesus responde à
pergunta com um resumo de toda a Lei e uma parte do shemá (Dt.6.4,5).
Não apenas dos dez mandamentos mas de todos os 613 preceitos. “E Jesus
respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor,
nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu
coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas
forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás
o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes”
(Mc.12.29-31).
O doutor da Lei então
elogia a Jesus, dizendo que é isso mesmo, e praticamente repete o que Jesus já
havia dito: “E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade
disseste que há um só Deus e que não há outro além dele; e que amá-lo de todo o
coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças e
amar o próximo como a si mesmo é mais do que todos os holocaustos e
sacrifícios” (Mc12.32,33).
Por que esses dois
mandamentos são maiores do que todos os outros 611? O amor a Deus prefigura a
perfeição cristã (Pv.1.7). Sem que ninguém perguntasse Jesus complementa
com um segundo dizendo ser semelhante ao primeiro como sendo a essência de toda
a Lei. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os profetas (Mt.22.40).
Se formos pensar sistematicamente,
tirando os dez mandamentos. Os outros 603 estão de certa forma contidos nos dez
das tábuas. E os dez das tábuas estão contidos nos dois principais que Jesus
falou. Vejamos: O 1º, 2º, 3º e 4º mandamentos estão inclusos no mandamento de
amar a Deus (não terás outros deuses, não farás imagem de escultura, não
tomarás o nome de Deus em vão e guardar o sábado). Já o 5º, 6º, 7º, 8º, 9º e
10º mandamentos estão incluídos no mandamento do amor ao próximo (honrar pai e
mãe, não matar, não adulterar, não furtar, não falar falso testemunho e não
cobiçar). Os dez resumidos em dois, não é sensacional?
A resposta de Jesus
foi incisiva: “E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe:
Não estás longe do Reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-lhe mais nada”
(Mc.12.34). Será que esse escriba foi um daqueles que em Jerusalém se
converteram depois do Pentecostes (cf. At.6.7)? É bem possível.
O legado que
importa – Segundo o comentarista Osiel Gomes – “Hoje estamos vendo países
em que as igrejas não possuem mais juventude. Não se tem mais uma nova geração
para levar à frente o legado de fé. Isso nos toca profundamente, bem como nos
desafia a manter em nosso lar os cultos domésticos e o ensino da Palavra para
nossos filhos, pois é esse trabalho que preparará para outros os tempos que
virão. Os pastores, mestres, pregadores e professores de hoje e do amanhã estão
dentro de nosso lar. Comecemos esse discipulado em casa, como fez Josué (Js.24.15)”.

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