Lição 11 – Jacó: De enganador para homem de honra

Por: Geisel de Paula

Texto base: Gênesis 32.22-31

               Jacó finalmente chega ao seu destino, a terra do povo do oriente (Gn.29.1). Chegando à beira de um poço, observou rebanhos e pastores chegando para dar de beber as suas ovelhas, e assim retiravam a pedra e depois a colocavam de volta. Perguntando de Labão, os pastores disseram que conheciam e que a sua filha, Raquel, que era pastora, vinha para dar de beber as suas ovelhas. Quando Jacó viu a Raquel, a Bíblia diz que ele removeu sozinho a enorme pedra que estava sobre o poço e deu de beber as ovelhas de Labão. “E Jacó beijou a Raquel, e levantou a sua voz e chorou” (v.11). Ao que parece, foi amor à primeira vista! Jacó realmente faz o tipo sentimental e romântico. Parece que o sentimento foi recíproco porque ela foi correndo contar ao pai (v.12). Raquel era prima de Jacó.

               Depois de um mês trabalhando de graça para Labão, este quis lhe pagar um salário, mas Jacó preferiu pedir a mão de Raquel em casamento e propôs servir a Labão por sete anos em troca disso. Não sei dizer se Jacó agiu de forma precipitada e nem se nesta época o dote era oferecido ao pai da noiva, mas fato é que Jacó estava tão apaixonado por Raquel que os sete anos lhe pareceram como poucos dias, pelo muito que a amava, o que é de fato surpreendente, pois sete anos tem exatamente 2.555 dias. Passado o tempo, Jacó tem que lembrar a Labão o acordo. Então ele fez um banquete de casamento, e levou a sua filha Lia no lugar de Raquel, muito provavelmente com um véu espesso sobre a cabeça, e no escuro da tenda, a noite, Jacó se deitou com Lia achando que era Raquel, e só o percebeu pela manhã, pois devia ter bebido um pouco demais.

               Confrontado, Labão disse que o costume era sempre se casar primeiro a mais velha e depois a mais nova, mas que depois de uma semana de lua de mel com Lia, ele lhe concederia também a Raquel, por mais sete anos de trabalhos gratuitos. Jacó não teve outra alternativa senão aceitar. Com as duas, foram dadas também duas servas: Zilpa, como serva de Lia, e Bila, como serva de Raquel. Então, depois de uma semana, Jacó se casou com Raquel, e teve relações com ela. O texto diz que Jacó amou Raquel mais do que Lia, e isso foi de certa forma demonstrado em suas atitudes, e isso desagradou a Deus, pois Lia era desprezada, e Deus abriu a sua madre, porém Raquel era estéril.

               Parece que os problemas familiares perseguem essa família de geração em geração. Abraão arrumou problemas com sua esposa quando possui a serva Hagar como sua concubina, gerando Ismael. Isaque e Rebeca causaram prejuízos na família com o problema da preferência, e agora Lia, esposa de Jacó, não se sentia amada por ele (v.32, 34; Gn.30.20). Depois de sete filhos, Lia ainda assim não foi amada. Depois de onze filhos, (Gn.37.35; 46.7) Deus se lembrou de Raquel (v.22). Assim nasceu José, o que viria a ser o mimadinho do papai.

                  Depois do nascimento de José, Jacó decidiu que era hora de voltar a sua terra. Labão já o enganara e estava preste a enganá-lo de novo. Mas Jacó não era suplantador à toa. Fez uma tática que até hoje é vista como uma artimanha subliminar para que os seus rebanhos fossem maiores e mais fortes do que o do seu patrão e sogro, Labão. E cresceu o varão em grande maneira; e teve muitos rebanhos, e servas, e servos, e camelos, e jumentos”. (Gn.30.37-43).

               Vinte anos se passaram, e Deus ordena que Jacó volte para a sua terra natal (Gn.31.3). Os cunhados estavam com inveja pois Jacó havia tirado muita coisa de Labão. Isso porque durante esse período Labão havia mudado o seu salário dez vezes (Gn.31.4-7). Jacó resolve partir com toda a sua família, mas não do jeito certo, em minha opinião. O versículo 19 diz que Raquel furtou os ídolos que seu pai tinha. Parece que Jacó tinha mudado mas sua amada esposa pelo jeito não. A viagem de cerca de 800 km foi feita mas Labão, sabendo do ocorrido, os alcançou. Deus já o alertara em sonhos que não falasse bem nem mal a respeito de Jacó. Será que Jacó era repreensível? Jacó ainda manda um “Deus de Abraão”, mas de forma interessante emenda um “temor de Isaque” (vs.42, 53 [Deus de Naor]).

               Chegamos assim ao capítulo 32 com um encontro interessante e com pouquíssimas informações entre Jacó e os anjos de Deus (Gn.32.1,2). Agora, ele precisaria de rever uma antiga ferida, nunca cicatrizada a contento. O encontro com o seu irmão gêmeo, Esaú. Jacó mandou mensageiros com uma oferta pacífica e eles voltaram com um recado: “seu irmão vem para encontrar-te, e quatrocentos homens com ele”. A Bíblia diz que Jacó temeu muito e angustiou-se, e dividiu o grupo em três bandos, ficando ele sozinho para trás. Até que a alva subiu.

O vau de Jaboque

               Segundo o comentarista Elinaldo Renovato: “O vau de Jaboque (parte rasa do rio) foi o lugar onde Jacó teve um encontro marcante com Deus. Jaboque significa “aquele que corre”; é um rio que fica situado a leste do rio Jordão e nele desemboca. Era a fronteira entre os reinos de Seom e Ogue” (Nm.21.24).  A luta de Jacó com o anjo durou toda a noite até pela manhã do dia seguinte. Foi uma noite de oração, de temor, de luta espiritual, diante da proximidade do encontro com Esaú, a quem tinha causado grande revolta por ter-se apropriado da bênção de Isaque com engano e mentira, aproveitando-se da falta da visão do seu velho pai. Aquele anjo não era um anjo qualquer. O texto permite-nos entender que era “o Anjo do Senhor”. O Dicionário Bíblico de Wycliff diz o seguinte: “O fato de que o anjo fala, não meramente em nome de Deus, mas como Deus, na primeira pessoa do singular, não deixa dúvida de que o anjo do Senhor é uma teofania – uma auto manifestação de Deus”.  

               Depois do encontro de Jacó com o anjo algumas coisas foram para sempre transformadas. Em primeiro lugar, o anjo tocou a juntura de sua coxa, provocando uma mudança física em Jacó, que passou a mancar até o dia de sua morte. A Bíblia disse que Jacó prevalecia contra o anjo, e este querendo subir, feriu Jacó para que o soltasse. Jacó precisava que antes que o anjo saísse, o abençoasse. E assim foi feito. O nome de Jacó (suplantador) foi mudado para Israel (aquele que luta com Deus e prevalece [!]). E o anjo abençoou-o ali (Gn.32.29). E Jacó chamou aquele lugar de Peniel: “porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva. E saiu-lhe o sol, quando passou a Peniel”. Sua vida foi transformada para sempre!

               O escritor e comentarista bíblico W. W. Wiersbe relata assim no seu comentário desta passagem: “Nós não nos vemos verdadeiramente até que tenhamos visto o Senhor. “Qual é o teu nome?” (v. 27), essa pergunta forçou Jacó a confessar seu verdadeiro eu — “Jacó, o usurpador”. Ele podia mudar, uma vez que encarara a si mesmo e confessara seu pecado. Deus deu-lhe um novo nome — “Israel, príncipe com Deus” ou “homem governado por Deus”. A forma de ter poder com Deus é ser quebrado por Deus. Deus também lhe deu um novo início e um novo poder quando ele começou a caminhar no Espírito, e não na carne. O novo caminhar de Jacó, pois agora ele mancava, ilustra isso. Deus quebrou-o, mas seu manquejar era um sinal de poder, não de fraqueza. O versículo 31 indica o alvorecer do novo dia, quando o sol se levanta, e Jacó manca ao encontro de Esaú com a ajuda de Deus!

 

Referências bibliográficas

https://pt.frwiki.wiki/wiki/Patriarches_%28Bible%29

VOGELS. Valter, Abraão e sua lenda. Edições Loyola. São Paulo. 2000

RENOVATO. Elinaldo, Homens dos quais o mundo não era digno – O legado de Abraão, Isaque e Jacó. Editora CPAD. Rio de Janeiro. 2026. 1ª Edição.

https://lorenaporto.home.blog/2020/04/27/direito-de-primogenitura/

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