Lição 13 – O legado de fé de Abraão, Isaque e Jacó

Por: Geisel de Paula

Texto base: Aos Hebreus 11.8-12; 17-21

O legado de Abraão

               O capítulo 11 da Carta aos Hebreus é comumente chamado do capítulo dos Heróis da Fé. Nele estão inseridas vidas de homens e mulheres de Deus que tiveram marcados o seu viver pela fé que se sustenta diante do invisível. Lembro-me do livro ‘Heróis da Fé’ da CPAD, que li quando ainda era adolescente. Orlando Boyer me soou um poco machista quando escolheu vinte homens para compor o seu livro. De Savonarola a Moody, todos homens. O escritor da Epístola aos Hebreus foi mais inclusivo do que o Boyer. Mas isso é um assunto para um outro dia.

               Abraão é, a meu ver, um dos personagens mais espetaculares da Bíblia Sagrada. Não é à toa que o seu nome é altamente reverenciado no Judaísmo (na Torah), como pai da nação hebreia (Gn.50:24), no Cristianismo (Novo Testamento), como o pai da fé (Gl.3:7) e no Islamismo (Alcorão) como pai das nações árabes, em Ismael. Mas eu quero apenas ressaltar a visão do apóstolo Paulo em relação a esse grande homem de Deus. O pai daqueles que creem (Rm.4:11). É disso que quero falar antes de entrar no seu chamado especificamente.

               Eu admiro bastante alguém fazer muito com tão pouco. Pessoas com apenas uma ideia na cabeça e sem nada no bolso fizeram coisas inacreditáveis. Falando da minha área, dentro da Teologia, eu considero Santo Agostinho de Hipona. Era um teólogo e filósofo que viveu no século IV. Ele desenvolveu muitas doutrinas que debatemos hoje, praticamente do zero. Uma coisa é você falar sobre a doutrina do Espírito Santo, por exemplo, a Pneumatologia; e dissertar sobre o que os autores já discorreram sobre essa pessoa gloriosa da Trindade, de ver livros, vídeos, gravações sobre o tema; outra completamente diferente, é estudar quase a partir do zero, do tema escolhido, e foi exatamente isso que Agostinho fez sobre temas como a Trindade, por exemplo. Ele foi um dos primeiros a desenvolver o tema, que é assunto em nossas mesas de debate hoje em dia.

               Abraão em minha opinião foi além. Vivendo em um mundo mergulhado no politeísmo em aproximadamente apenas mil anos entre a morte de Adão, homem que via a face de Deus, pois o pecado ainda não havia entrado no mundo, e o nascimento de Abraão e o seu chamado, aos 75 anos, acabou por desenvolver a partir daí a fé em um só Deus apenas. Foi assim porque Deus se revelou a ele como único Senhor, mas Abraão é uma pessoa admirável pois aceitou o desafio de se adorar a apenas um Deus. Entre o alvorecer da idolatria (em minha opinião com Ninrode, cerca de 300 anos antes), e o seu chamado, a terra se tornou totalmente politeísta, ou seja, todos adoravam vários deuses, a ponto de Josué dizer que até os pais de Abraão eram idólatras (Js.24:2). O texto não afirma categoricamente, mas dá a entender que até mesmo Abraão era idólatra. Alguns estudiosos dentro do Judaísmo vão informar que a família de Abraão enriqueceu com a fabricação de ídolos, o que se coaduna com o senso de humor de Deus, chamando um fabricante de ídolos e idólatra para servir a um só Deus.

               Então Abraão vira monoteísta em um mundo politeísta. Antigamente, a tradição era oral, ou seja, os valores eram passados de boca a boca, dos pais aos filhos. Mas como as pessoas viviam muito nessa época, o ‘telefone sem fio’ era mais crível. Para se ter uma ideia, Adão, pai de toda a humanidade viveu 930 anos e foi contemporâneo de Matusalém, que detém o recorde registrado de viver 969 anos; sendo contemporâneo de Sem, filho de Noé, que viveu aproximadamente 600 anos (dos quais, 500 após o dilúvio), e este foi contemporâneo do próprio Abraão. Então nós temos uma corrente com apenas três elos, ligando cerca de 2.000 anos. Impressionante, não é mesmo? Essa foi a tradição que Abraão recebeu de seus antepassados, e bastou para que ele se dispusesse a desenvolver a sua fé, sem:

  1. Bíblia;
  2. Comunidade de crentes;
  3. Templo;
  4. Liturgia pré-estabelecida;
  5. Sacerdotes;
  6. Hinódia para adoração;
  7. Testemunhos vivos (com exceção ao seu encontro com Melquisedeque).

É por isso que eu considero tanto esse homem de Deus, uma grande figura de seu tempo.

Aplicação

               Abraão é um proto-crente. Ele é o primeiro de uma série. Uma espécie de protótipo daquilo que viria a ser um crente em Deus pela fé. Não que a fé não existisse antes de Abraão, mas ela com certeza foi aperfeiçoada nele (Rm.4:1-3,9,13,16). Por isso ele é o nosso pai na fé, de todos os que se achegam a Cristo. Ele é um verdadeiro modelo de fé.

               Em Gênesis 11, após o fatídico episódio da Torre de Babel (confusão), a humanidade foi espalhada por sobre a face da Terra, e começaram a habitar onde os historiadores chamam de crescente fértil, que da ponta da foz do rio Nilo, subindo até a Síria e Turquia, até a outra ponta desaguando no Golfo Pérsico na Caldéia (hoje Iraque), existia uma cidade de nome Ur (fogo, chama), onde alguns descendentes de Sem moravam. Na linhagem temos Naor (iluminado), que aos 29 anos gerou Terá (estação), vivendo quase até os 150 anos. Terá, por sua vez, aos 70 anos de idade, gerou a Abrão (pai elevado), Naor e Harã (ressecado). Esse Naor, que levou o nome do avô, sabemos muito pouco, mas sabemos que Harã morreu cedo, depois de gerar o seu filho Ló (véu), antes de seu pai, Terá. Abrão se casou com Sarai (minha princesa), que até então era estéril. Terá então, parte com Abrão, Sarai e Ló em direção a Canaã (terra rica e fértil, cerca de 800 km em linha reta), mas acaba em Harã, (Ressecada, a 850 Km ao norte), se fixando ali. Foi ali também que Terá morreu. É somente a partir daí, que Deus inicia um diálogo com Abraão (pai de multidões). Ele tinha cerca de 75 anos de vida, quando esse relacionamento se iniciou e perdurou por cem anos, até a sua morte, em Hebrom (comunhão). Foi exatamente essa qualidade que ele atingiu por andar com Deus.

O chamado para andar pela fé

Deus em seu discurso, tem alguns direitos e alguns deveres para relatar a Abraão. O chamado proposto envolve um alto grau de fé, à saber:

  1. Sai da tua terra (ele já havia saído de Ur);
  2. E da tua parentela (quase cumprido, por exceção a Ló, seu sobrinho);
  3. E da casa de teu pai (que aparentemente já havia morrido);
  4. Para a terra que eu ainda vou te mostrar (ou seja, um passo no escuro, dado apenas na fé).

Deus chama Abrão para andar com ele (Gn.17:1), para que se conhecessem melhor, não porque Deus precisasse conhecer a Abrão, mas porque Abrão necessitava conhecer o Deus que ele resolvera servir, com mais intimidade, e para isso, se fazia necessário caminhar juntos. A fé demanda esse tipo de atitude, de crer naquilo que não se pode enxergar, que não é palpável, que nos obriga a aguçar a nossa visão espiritual em um mundo natural.

A terra prometida não foi mostrada em um mapa, uma planta ou uma região. A terra ainda seria mostrada, no caminho e não antes de partir. Um passo de fé foi necessário, um salto no escuro, para que a confiança de Abraão em Deus fosse assim estabelecida e fortalecida. Não adquiriremos uma casca grossa recebendo apenas benesses, mas sim em meio a lutas e perseguições, dúvidas e incertezas, para que a nossa fé seja edificada naquele que pode todas as coisas. O resultado de nosso relacionamento não está no fim, e muito menos no começo. Está no caminho, e é no caminho que aprendemos a desenvolver a nossa fé em Deus, olhando com olhos espirituais em um mundo invisível. Essa é a nossa batalha diária, o que eu chamo de verdadeira espiritualidade.

Precisamos pensar que como homens, o futuro não nos pertence. O dia do amanhã é uma incógnita. Precisamos aprender a descansar nos braços do Todo-Poderoso, a confiar que ele sempre tem o melhor para cada um de nós, mesmo quando eu não vejo, não sinto, não escuto, não cheiro e não toco, mas ainda assim, eu caminho na direção de encontrar porque eu creio pela fé que está lá. Não é fácil, mas é o que Deus exige de cada um de nós.

O legado de Isaque

               Segundo Elinaldo Renovato: “O nome “Isaque” significa “riso” ou “ele ri”. Esse nome foi es colhido porque Sara riu quando ouviu a promessa cie que teria um filho na velhice (Gn.18.12), No entanto, o nascimento cie Isaque transformou esse riso de incredulidade em um riso cie alegria e cumprimento da promessa divina. Além disso, Isaque simboliza a fidelidade de Deus e a realização do seu plano, mostrando que nada é impossível para o Senhor”.

O legado de Jacó

               Ainda Renovato: “O legado de fé de Jacó não foi tão expressivo quanto o de Abraão e de Isaque. Na sua divina soberania, Deus permitiu a Jacó receber a bênção do seu pai. Cremos que o motivo foi porque Esaú, sendo o primogênito, trocou a sua primogenitura por um prato de lentilhas”. 

Referências bibliográficas

https://pt.frwiki.wiki/wiki/Patriarches_%28Bible%29

VOGELS. Valter, Abraão e sua lenda. Edições Loyola. São Paulo. 2000

RENOVATO. Elinaldo, Homens dos quais o mundo não era digno – O legado de Abraão, Isaque e Jacó. Editora CPAD. Rio de Janeiro. 2026. 1ª Edição.

https://lorenaporto.home.blog/2020/04/27/direito-de-primogenitura/

  • Todas as publicações
Carregar mais

Fim do conteúdo.

CONTATO

FORMAÇÃO

Metodologia de Ensino Bíblico

Escola Bíblica Dominical

Inteligência Emocional Cristã

Domínio Próprio e Autocontrole

Liderança Cristã

SIGA O CAPACITA EBD

RECEBA CONTEÚDOS

You have been successfully Subscribed! Ops! Something went wrong, please try again.

© Todos os Direitos Reservados a Capacita EBD / Site criado por: Artsaction (11) 96945-2310