Lição 03 – A fidelidade de Deus diante da infidelidade de Israel

Por: Geisel de Paula

Texto base: Deuteronômio 4.1-4, 25-31

               Neste capítulo, algumas advertências e atribuições são dirigidas para a nova geração, lembrando que a geração que saiu do Egito terminou enterrada pelas areias do deserto ao longo de 40 anos.

  1. Ouçam e obedeçam a Lei (v.1);

Estatutos, juízos, mandamentos, não podem servir apenas como enfeite. Precisam ser cumpridos e vividos também.

  1. Nada retirem ou acrescentem à Lei (vs. 2-8);

A ideia principal é que não deve haver tentativas de perverter o significado claro da lei divinamente dada. Jesus acusou os fariseus de invalidar a palavra de Deus pela tradição que eles mesmos inventavam e transmitiam (Mc.7.13). A lei deve ser reverentemente preservada e igualmente observada.

  1. Vivam diligentemente pela Lei e a ensinem aos filhos (vs.9-14);

Os israelitas ouviam uma voz (12) que dava os mandamentos e fazia um concerto, apelando à consciência e fé, mas não havia semelhança (“forma”, NVT; “aparência”, ARA) alguma. Moisés foi delegado a lhes ensinar estatutos e juízos (14), para com isso validar a revelação divina dada a um homem escolhido. Mas nada que podia ser visto ou tocado estava visível em Horebe, para que a adoração não fosse materializada e sensualizada e a matéria se exaltasse acima do espírito.

  1. Vivam livres de toda a idolatria (vs.15-22);

A revelação original não deve ser corrompida com idolatria (4.15-24). Este parágrafo apresenta várias formas de idolatria. Os israelitas foram advertidos a se manter longe de escultura (16; pesei, “imagem esculpida”, cf. ARA). Não deviam copiar figura ou forma. Afigura de macho ou de fêmea pode se referir à adulação sexual na adoração pagã, na qual os órgãos sexuais eram adorados com ritos obscenos. Eram os egípcios e outras nações que adoravam animais, pássaros, insetos, répteis e peixe (17,18).

  1. Acheguem-se a Deus; nunca provoquem a ira divina (vs. 23,24).

Moisés previu o risco de as gerações futuras se esquecerem do concerto. Quanto mais nos afastamos dos dias do concerto original, maior o perigo de decadência espiritual, a não ser que o concerto seja renovado em novos enchimentos do Espírito. Mas o Deus que é um fogo consumidor também é um Deus misericordioso, que não se esquece do concerto (31). No exílio, Ele ouvirá o clamor dos seus se o buscarem de todo o… coração e de toda a… alma (29 e 30).

O privilégio de ser o Eleito de Deus (Dt.4.32-40)

  1. a) Um privilégio único (4.32-34) – Estes versículos estão na forma de perguntas retóricas. Moisés convida o tempo (32a) e o espaço (32b), a história e a geografia, para fornecer outro exemplo de nação que tenha a experiência de Deus como Israel teve. Nenhuma outra nação tinha ouvido Deus falar do meio do fogo (33) e sobreviver. Nenhum outro deus tinha separado para si um povo do domínio de outro povo (34) Há estudiosos que afirmam que as provas se refiram a Faraó, ao passo que outros dizem que são os testes aos quais Deus submeteu Israel. Provavelmente ambos os pontos de vista estão certos. Sinais são atos significativos; milagres (“maravilhas”, NVI), ações sobrenaturais; peleja, a ruína do exército egípcio no mar Vermelho. Mão forte (“mão poderosa”, ARA) e braço estendido (“braço forte”, NVI) representam a onipotência divina em ação. Grandes espantos são demonstrações terríveis do poder divino. A redenção de Israel estava fundamentada na história, e a nossa também está, na cruz e na ressurreição. Das três palavras gregas usa das no Novo Testamento para aludir a milagres, duas são encontradas aqui na Septuaginta: semeion, “sinal”, e feras, “milagre”. A terceira é dynamis, “obra de poder” (cf. Hb.2.4).
  2. b) O propósito do privilégio (4.35-38) – Deus escolheu os israelitas porque amava seus pais (37). Foi uma eleição baseada no amor e graça divinos; mas não devemos menosprezar a atitude de fé e obediência por parte dos patriarcas, notavelmente por Abraão. Porque amou, Deus deu a Israel seu poder e sua presença (cf. Ex.33.14,15). E seu propósito em tudo era que, primeiramente, soubessem que o SENHOR é Deus; nenhum outro há, senão ele (35). Davies declara que os versículos 35 e 39 “ensinam o monoteísmo absoluto”. Em segundo lugar, que fossem ensinados (ou disciplinados, cf NVI) nos caminhos divinos (36); e, em terceiro, para que ele os estabelecesse na Terra Prometida (37,38).
  3. c) A obrigação do privilégio (4.39,40) – Os israelitas não eram os favoritos mimados de um Deus indulgente. Tal concepção é um insulto ao caráter divino. Ser o povo eleito de Deus trazia consigo a obrigação de honrá-lo no coração (39) como supremo e guardar os seus estatutos (40). Só assim as coisas lhes iriam bem. Há uma verdade vital na ênfase deuteronômica. No final das contas, somos guardados ao guardar a Palavra de Deus ou quebrados ao quebrá-la.

Designação das Cidades Refúgio

               É impossível localizar estas três cidades com certeza. Pensamos que Bezer (43) ficava exatamente a leste do lugar do discurso no território de Rúben. Consideramos que Ramote é o mesmo que Ramote-Gileade. Porém, ficava no território de Manassés e não em Gade. Julgamos que Golã se situava no norte do território de Manassés. Todas as cidades foram escolhidas por serem de fácil acesso para a maioria da população.

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