Lição 06 – A aliança e as bênçãos da obediência

Por: Geisel de Paula

Texto base: Deuteronômio 7.6-13, 21-23

               O escritor da Epístola aos Hebreus deixa claro que o Antigo Testamento é o registro de uma revelação progressiva que atinge sua expressão plena com a encarnação do Filho de Deus (Hb.1.1-3). Há um lado negativo e outro positivo em guardar os mandamentos e o concerto de Deus. No concerto matrimonial, o homem se separa de todas as outras mulheres para ser o marido leal de uma mulher. Este capítulo indica a divisão que tem de haver entre Israel e os cananeus por causa do concerto com Deus. É baseado nesse mesmo preceito que Deus exige da nação de Israel fidelidade.

            Já no 1º versículo nos é informado que Deus requer essa fidelidade em relação as outras nações que precisam ser extirpadas do meio da terra. Segundo o comentarista Beacon: “A derrota das nações em Canaã é atribuída a Deus. A vitória é dele. Os heteus, ou filhos de Hete, eram uma nação poderosa e civilizada que dominaram a Síria e a Ásia Menor de 1800 a 900 a.C. Os jebuseus eram um povo cananeu que habitava os montes em torno de Jebus (Jerusalém). Pouco se sabe a respeito dos girgaseus (no hb., este termo sempre está no singular), a não ser que parece terem povoado certa região de Canaã a oeste do rio Jordão (Js.24:11). Os heveus se situavam ao norte, no Líbano e em Hermom (Jz.3:3; Js.11:3), e ao sul, em Quiriate-Jearim e Beerote (Js.9:17). Foi este povo em Gibeão que, ardilosamente, fez paz com os israelitas (Js.9:17). Quanto aos amorreus constituíam nação poderosa que entraram na Palestina pelo Norte e se instalaram na região montanhosa. Os cananeus, que ocupavam a planície, eram provavelmente de origem fenícia. Todos estes seis povos aparecem na relação da linhagem de Canaã, neto de Noé (Gn.10:15-18). Pelo visto, os ferezeus viviam principalmente na região montanhosa. Em Josué 17:15, são associados com os refains ou gigantes”.

               Todos os povos pertencentes a estas nações tinham de ser totalmente destruídos -“postos sob maldição” (cherem) —, para que não contaminassem os israelitas (2,4). Os filhos de Israel não deviam contrair matrimônio com esses povos (cf. Nm.25:1-9). Todos os objetos de culto deviam ser eliminados. Os bosques eram árvores ou postes de madeira montados como símbolos sagrados, talvez imagens de Asera, deusa cananeia do mar, a consorte de El ou Baal. Segundo Osiel Gomes: “Os cananeus foram consagrados à destruição, e isso se vê claramente por meio da expressão “totalmente as destruirás”, que transmite a ideia de consagração à destruição, anatematizar. Essa destruição não seria um tipo de extermínio para conquistar a terra, mas um ato sagrado exigido por Deus no intento de preservar a santidade do povo”.

            Agora é preciso ressaltar algo importante: A destruição de várias nações e a escolha de Israel tem a ver com a justiça divina. A escolha de Israel como povo de Deus não se dá por méritos próprios. Não havia nada em Israel que chamasse a atenção. Os judeus são povo escolhidos por Deus e muitas vezes se acham a última bolacha recheada do pacote, mas não tem motivos para se sentirem assim. Eles foram escolhidos por Deus, por isso são especiais, nada mais do que isso. Na nova aliança também funciona assim. Nada é tão anticristão do que orgulho e a soberba. Você é orgulhoso de quê? Qual foi a sua contribuição para a salvação? Você só aceitou. O preço total quem pagou foi Jesus. Tá se sentindo o bonzão por quê? Na verdade esse sentimento é bem maligno (1Co.1.26-29).

               A escolha de Deus para com Israel se revela em alguns propósitos: para serem santos (v. 6 a), para serem propriedades de Deus (v. 6 b), para serem humildes (v.7), e para serem herdeiros (v. 8). A causa da escolha é atribuída ao amor de Deus (Rm.5.6-8, 1Jo.4.10). Deus promete liberdade de toda enfermidade. O Egito se caracterizava por suas condições de insalubridade (Aedes aegypt). Plínio o descreve como “a mãe das piores doenças”.’ Canaã, caso fosse obediente, seria notório por sua saúde.

               Segundo o comentarista Osiel Gomes: “Que sempre tenhamos em nossa mente que Deus é bondoso, amoroso, mas, ao mesmo tempo, é justiça. Nessa assertiva bíblica, entendemos que deve haver um equilibro. É preciso ver o Deus de amor para quem obedece, mas também um Deus de justiça para quem é infiel, profano. O versículo 11 reforça tudo o que estamos dizendo, pois é exigido da parte de Deus que se guarde os seus mandamentos. Os que, de fato, o conhecem responderão fielmente à justiça de Deus e com uma obediência reverente. Moisés estava dizendo ao povo que era preciso viver um compromisso de fé ativo e fiel para com Deus, pois a aliança exigia isso. O erro de muitos crentes hoje é pensar e ver Deus apenas como amor, não fazendo o equilibro certo, pois é ensinado na Palavra que Ele é justiça também, o que nos impele a viver uma vida de santidade e vigilância (1Pe.1.15-17)”.

               Ainda Osiel Gomes: “Nos dias atuais, os cristãos são advertidos a não se deixarem seduzir pelos altares modernos que querem ocupar o lugar de Deus em nosso coração, como, por exemplo, o egocentrismo, o status, o dinheiro, a fama, o poder e as ideologias. Nosso Senhor Jesus Cristo advertiu-nos quanto ao cuidado que devemos ter e não adorar dois senhores (Mt.6.24). O apóstolo Paulo enfatiza a necessidade que temos para destruir todas as fortalezas e pensamentos que querem levantar-se contra Deus (2Co.10.4,5)”. Amar-te-á e abençoar-te-á (13). Se o amor é incondicional, é condicional a bênção. Isso vale para nós nos dias de hoje também.

 

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