
Lição 09 – Coragem para testemunhar: Paulo diante da multidão Por: Geisel de Paula Texto base: Atos dos Apóstolos 21.27,28,30,31,33,39,40;...
Lição 05 – Cristo entre os filósofos: O Deus Desconhecido se revela
Por: Geisel de Paula
Texto base: Atos dos Apóstolos 17.15-20,30-32
Paulo e Silas (provavelmente na companhia de Lucas e Timóteo) partiram para a região da Tessalônica (de onde veio a carta aos Tessalonicenses – 160 km de distância de Filipos), passando antes pelas cidades de Anfípolis e Apolônia. Lá, encontraram uma sinagoga judaica onde Paulo discutiu durante três sábados seguidos as Escrituras com o povo (judeus?). Que Escrituras se não havia o Novo Testamento ainda? Discutiu as profecias registradas que apontavam para Jesus e a necessidade de que Cristo tinha que passar pelo sofrimento (calvário) e ressurreição (lembrando que a morte de Jesus na cruz era uma barreira intelectual para qualquer judeu e havia sido para Paulo também – Dt.21.22,23; Gl.3.13). A conclusão e o resumo do discurso de Paulo era: “Esse Jesus de que lhes falo é o Cristo” – o que leva-nos a crer que ele pregava a judeus em sua maioria, mas o versículo 4 vai dizer alguns (todas as versões) judeus foram convencidos (persuadidos) e se uniram a Paulo e Silas e muitos (grande multidão) gregos tementes a Deus (prosélitos?) e várias (não poucas) mulheres de alta posição (distintas).
Já dizia Isaac Newton: “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade”. As conversões de muita gente em Tessalônica enfureceram o inimigo que liberou uma perseguição contra Paulo e Silas e fez uso de algo que seria comum durante todo o ministério do apóstolo Paulo: a inveja e o ciúme dos judeus. Alguns estudiosos vão dizer que era esse o espinho na carne de Paulo: a incompreensão de seus pares. Esses judeus, movidos pela inveja, reuniram alguns desordeiros e desocupados (gente que não tinha o que fazer, bandidos), e estes começaram um tumulto, invadindo a casa de Jasom onde Paulo e Silas estavam hospedados para entregá-los ao conselho da cidade. Como eles não estavam lá no momento, acabou sobrando para Jasom e alguns irmãos (já novos convertidos), que ouviram algo impressionante daqueles homens: “Aqueles que alvoroçaram o mundo chegaram também aqui”. O crime de Jasom foi de recebê-los em sua casa e a acusação era essa: Traição contra César. Por quê? “Eles afirmam que existe um outro rei, um tal de Jesus”.
Lembrando que o fato de ter outro rei “ou até outro deus” além de César era permitido pelo Império Romano. A pessoa podia continuar servindo aos seus deuses se também ‘acendesse uma velinha’ para César também. O problema é que o Cristianismo não aceitava isso, mas não é que está acontecendo aqui, ao que parece. Os oficiais da cidade obrigaram a Jasom e outros irmãos pagarem fiança e depois disso foram liberados. Já Paulo e Silas foram enviados pelos irmãos para a cidade de Bereia, onde novamente se encaminharam para uma sinagoga judaica para anunciar a Jesus.
Em Bereia, ao que parece, os que lá moravam tinham a mente mais aberta que os de Tessalônica e ouviram a mensagem de Paulo com grande interesse. Sempre assenti com o fato de que o melhor público não é o mais barulhento ou o mais rico ou o mais numeroso e sim o público que ouve, que bebe cada palavra e que examina detalhadamente o discurso do orador. A Bíblia diz que: “Todos os dias, examinavam as Escrituras para ver se Paulo e Silas ensinavam a verdade”. Que Escrituras seriam essas? O Antigo Testamento, pois era o que eles tinham. E pelo jeito era suficiente por ora.
Esse era o papel que todo crente deveria ter: a de examinar tudo o que é falado para ver se bate com a Bíblia. Se todos fizessem isso, acredito que os problemas relacionados a doutrina diminuiriam de 80 a 90%. O resultado da pregação foi que muitos judeus creram (provando que a fé pode e deve ser racional), assim como vários gregos (gentios) de alta posição, tanto homens como mulheres (parece que nessa época o Cristianismo não ficou conhecido como uma ‘religião dos pobres’, visto que a elite estava crendo em Jesus também.
Mais uma vez a história se repete: “Mas, quando os judeus de Tessalônica souberam que Paulo estava pregando a palavra de Deus em Bereia, foram até lá e criaram um alvoroço” (At.17:13 | NVT). Mais uma vez judeus invejosos, mais uma vez tumultuaram o ambiente de paz e se os irmãos não tivesse agido de imediato (v.14 – NVT), enviando Paulo (e Silas?) para o litoral, sabe-se o que poderia ter acontecido. Prisão, torturas, espancamento, exílio, etc. Paulo assim foi levado até a cidade de Atenas pelos irmãos de Bereia mas Silas e Timóteo ficaram ali, ajudando a formar uma igreja crescente no local, com instruções para irem ao encontro dele (Paulo), o mais depressa possível. O Comentário Bíblico de Beacon traz o seguinte parecer sobre esse episódio: “Parece que Silas e Timóteo se juntaram a Paulo em Atenas, e que o apóstolo enviou Timóteo de volta a Tessalônica (1Ts.3:1-3) e Silas a Filipos ou Bereia (18.5). Na ocasião em que novamente se juntaram a Paulo, ele estava em Corinto (At.18:5). Foi lá que o apóstolo escreveu as duas epístolas aos Tessalonicenses”.
O apóstolo Paulo em Atenas
Atenas, a cidade que era terra natal dos filósofos Sócrates e Platão e lar adotivo de Aristóteles, Epicuro e Zenon, uma das grandes capitais do mundo antigo. Estima-se que Atenas tivesse entre 20 mil e 50 mil habitantes na época de Cristo. Já o Areópago era usado frequentemente para debates filosóficos e discursos públicos. Paulo (nesse contexto é mencionado apenas ele), esperava por Timóteo e Silas irem ao seu encontro (e Lucas?) e enquanto esperava, aproveitou para ir a sinagoga debater com judeus e gentios (prosélitos?) e com alguns filósofos epicureus e estoicos sobre o assunto de Jesus e a ressurreição, o que intrigou aquela plateia em extremo.
A filosofia dos epicureus vem de Epicuro de Samos (341 – 270 a.C.), que tinha como ensinamento, segundo F. F. Bruce: “Baseado na teoria atômica de Demócrito, apresentava o prazer (hedone) como a principal finalidade da vida, sendo que o maior prazer era ter uma vida de tranquilidade (ataraxia), livre da dor, de paixões perturbadoras e de temores supersticiosos”. O propósito da filosofia para Epicuro era atingir a felicidade, estado caracterizado pela aponia, a ausência de dor (física) e ataraxia ou imperturbabilidade da alma.
A morte física seria o fim do corpo (e do indivíduo), que era entendido como somatório de carne e alma, pela desintegração completa dos átomos que o constituem. Desta forma, os átomos, eternos e indestrutíveis, estariam livres para constituir outros corpos. Essa teoria, exaustivamente trabalhada, tinha a finalidade de explicar todos os fenômenos naturais conhecidos ou ainda não e principalmente extirpar os maiores medos humanos: o medo da morte e o medo dos deuses.
Já os estoicos vem de Zenon de Cítio (333 – 263 a.C.), de origem fenícia, que ensinava o seguinte: “Apesar de compartilhar diversos conceitos básicos da filosofia de Epicuro de Samos, Zenon e o estoicismo em geral divergem do epicurismo por entender que a virtude, e não o prazer, constitui o bem supremo. Além disso, consideram que o princípio-chave do universo é a lei racional da natureza, e não o movimento aleatório dos átomos. A doutrina filosófica de Zenon de Cítio afirma que o ser humano atinge a plenitude e a felicidade quando abandona todas as paixões terrenas, contrariedades, aborrecimentos e desassossegos.
Para Zenon, a única forma de viver sem essas contrariedades é viver em ataraxia ou apatheia, ou seja, abandonado ao destino, impassivelmente, nada receando e nada esperando. Segundo F. F. Bruce: “A crença dos estoicos era panteísta, racionalista e fatalista. Na prática, eles enfatizavam “a supremacia do racional sobre a faculdade emocional do homem, e sobre a própria auto-suficiência”. Assim, eles negavam a essência da verdadeira religião, com a sua dependência de Deus. Estoicos importantes da época romana foram Sêneca, Epíteto e Marco Aurélio”.
O resultado do discurso de Paulo para os filósofos foi: “Que quer dizer esse paroleiro”? Significado incerto, mas pode ser pessoa inútil. Para eles, Paulo era um pregador de deuses estranhos. Para alguns comentaristas, os atenienses entenderam Jesus e anastasis (ressurreição) como se fossem um deus e uma deusa. Mais um entre o panteão interminável que eles já tinham. “Podemos saber que nova doutrina é essa de que falas”? A NVT diz assim: “Pode nos dizer que novo ensino é esse? Você diz coisas um tanto estranhas, e queremos saber o que significam” (At.17:19,20). Eles queriam ouvir novidades. Era disso que viviam e passavam o tempo. Agora chegamos ao âmago da lição de hoje.
O Fator Melquisedeque
O escritor Don Richardson, autor do best-seller O Fator Melquisedeque da Editora Vida Nova, traz uma história interessante sobre a origem do discurso do apóstolo Paulo no Areópago de Atenas. Para ilustrar o sermão de Paulo, precisamos voltar no tempo. Cerca de seiscentos anos antes de Cristo, uma praga sem precedentes abateu sobre Atenas e em uma reunião de Conselho da cidade foi discutido o seguinte. “Como é possível livrar-nos dessa maldição que se abateu sobre nós”? Nícias, um doas líderes assim aconselhou: “Precisamos enviar um navio a Cnossos, na ilha de Creta, e trazer de lá um homem chamado Epimênides. Ele saberá o que fazer. Epimênides então vai até a cidade e se surpreende com a quantidade de deuses que se veneram ali. Então ele pede: Tragam-me amanhã, um rebanho de ovelhas, um grupo de pedreiros e pedras e argamassa.
No outro dia, ele pede para soltar as ovelhas na ladeira sagrada e dexá-las que cada animal paste onde quiser. Assim, orou ao Deus Desconhecido pedindo perdão pelos pecados de idolatria. “Revela tua disposição para responder fazendo com que qualquer ovelha que te agrade, deite-se na relva em vez de pastar”. Essas seriam sacrificadas na lamentável ignorância de seu nome. Assim, as ovelhas foram soltas depois de muitas horas presas sem comer, e estavam famintas. Assim, muitas delas se deitaram na grama em vez de pastar. Em cada um desses lugares, foi levantado um altar e as ditas ovelhas foram sacrificadas. Então perguntaram: “Qual o nome do deus que gravaremos sobre esses altares”? “Não tenho ideia” – disse Epimênides. E assim resolveram escrever o seguinte: agnosto theo – A um Deus desconhecido. No outro dia, a praga já havia cessado no meio do povo e no decorrer de uma semana todos os doentes sararam.
O tempo passou, e o povo de Atenas começou a se esquecer da misericórdia que o deus desconhecido de Epimênides lhes concedera. Seus altares na colina foram negligenciados e vândalos demoliram e retiraram as pedras desses altares. O mato e o musgo começou a crescer sobre as ruínas até que centenas de anos depois, um homem chamado Paulo de Tarso, passando pelas ruas de Atenas, viu o altar esquecido do deus desconhecido. O seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante da cidade, dando louvores a figuras de madeira e pedra até que ele viu o altar AO DEUS DESCONHECIDO. O apóstolo fez a seguir uma declaração que aguardara seis séculos para ser pronunciada: “Esse Deus que vocês adoram sem conhecer é exatamente aquele de que lhes falo” (At.17:23). E assim Paulo discorre sobre Deus citando o próprio Epimênides “porque nele vivemos, nos movemos e existimos” e ainda: “pois somos também a sua geração” vem do poeta Arato (At.17.22-31). Quando ouviram a palavra ressurreição dos mortos, uns escarneciam e outros diziam: “Acerca disso te ouviremos outra vez”. Houve poucas conversões: Dionísio, o areopagita, Dâmaris e com eles outros.
Bibliografia
GABY, Wagner. A Igreja dos gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Editora CPAD. Rio de Janeiro. 2026. 1ª edição.
PENNA, Romano. As primeiras comunidades cristãs – Pessoas, tempos, lugares, formas e crenças. Editora Vozes. Petrópolis – RJ. 2017.
BEITZEL, Barry J. Novo Atlas da Bíblia – Geografia – Arqueologia – História. Edições Vida Nova. São Paulo. 1ª edição. 2017.

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