
Lição 09 – Coragem para testemunhar: Paulo diante da multidão Por: Geisel de Paula Texto base: Atos dos Apóstolos 21.27,28,30,31,33,39,40;...
Lição 03 – A graça que alcança a todas as nações
Por: Geisel de Paula
Texto base: Atos 15.1-5; 28,29,36-39
Até aqui a oposição ao movimento de Jesus tinha sido externa, movida por judeus em sua maioria, mas estes incrédulos, que não aceitavam Jesus com Messias, que incitavam os gentios também indoutos a perseguirem os apóstolos. Com isso, o Tiago Maior havia sido morto, Pedro havia sido preso e Paulo havia sido apedrejado. Seguir a Jesus tinha um alto custo de discipulado. Nada que o próprio Jesus já não houvesse alertado. A partir de agora, do capítulo 15, o inimigo muda a tática e começa a investir contra o movimento agindo de dentro para fora. O inimigo agora era outro, e chamava o próximo de irmão.
A versão NVT diz assim: “Chegaram a Antioquia alguns homens da Judeia e começaram a ensinar aos irmãos: “A menos que sejam circuncidados, conforme exige a lei de Moisés, vocês não poderão ser salvos” (At.15:1). Esses homens são judeus, mas judeus messiânicos, que acreditavam que Jesus Cristo era sim o Messias, faziam parte da igreja de Jerusalém da qual Tiago, o irmão de Jesus era o líder e pastor. Esse próprio Tiago tinha fortes raízes judaicas, é o que dá para constatar em sua carta. Esse grupo de judeus vindos da ‘sede’ começaram a ensinar os irmãos de Antioquia. Aí mora o perigo de falsos ensinos dentro da igreja. Poucos tem essa habilidade e a maior parte da comunidade apenas segue o que o melhor instruído diz. Nem toda igreja é bereana, infelizmente (At.17.10,11). E olha que a igreja de Antioquia tinha mestres (At.13.1).
E qual era a problemática do ensino desses judeus convertidos? O problema é que eles colocavam uma condição na salvação daqueles gentios, um grande SE. Olha, a fé alcança vocês também, se vocês se circuncidarem, como exige a Lei de Moisés. Assim e só assim vocês serão salvos. Então, na cabeça deles, ainda faltava uma coisa para Deus completar a salvação, o sacrifício de Jesus na cruz do calvário não havia sido suficiente, seria o sangue de Jesus + a circuncisão = salvação. Qual é o problema disso? O ponto crucial está no fato de que a salvação em Cristo é muito simples como bem salientou o próprio Paulo (Ef.2.8,9). Qualquer coisa que se acrescente a isso é a religião falando e não o próprio Deus.
__A Igreja Católica Apostólica Romana vai dizer que é o sangue + a tradição;
__Os Adventistas vão dizer que é o sangue + o sábado;
__Os Mórmons vão dizer que é o sangue + o Livro Mórmon;
__Os Testemunhas de Jeová vão dizer que é o sangue + a Torre de Vigia;
__O Espiritismo vai dizer que é o sangue + as boas obras;
__Muitas igrejas neopentecostais vão dizer que é o sangue + algum sacrifício.
Qualquer coisa que venha a adicionar algo ao sacrifício de Jesus na cruz é mera religiosidade. O sangue de Jesus foi, é e sempre será suficiente para salvar o ser humano. E isso basta. Parece que a igreja ficou dividida com aquela informação. “será que eu estou caminhando para a perdição se não me circuncidar”? Será que eu tenho que usar a roupa certa, o cabelo certo, a placa denominacional certa para me salvar? Essas são perguntas que permeiam a mente de muitos cristãos até hoje.
Pelo que lemos no relato bíblico, apenas Paulo e Barnabé discordaram desses judeus ‘conversos’. Onde estavam e como se posicionaram Simeão, Lúcio e Manaém? Não sabemos. Fato é que se levantou na igreja uma discussão enérgica (RC/NVT), uma contenda (NVI), um conflito, uma acirrada divergência (KJA), uma agitação (BJ), uma disputa entre eles. Parece que não chegaram a uma decisão sobre o assunto pois a igreja decidiu enviar Paulo e Barnabé a Jerusalém, acompanhados de alguns irmãos de Antioquia, para tratar dessa questão com os apóstolos e presbíteros (anciãos). A favor dos judeus tinha a Lei de Moisés, a Tanach, ou seja, todo o Antigo Testamento ordenando a circuncisão como uma aliança com Deus. O que os cristãos tinham? Nenhum Evangelho havia ainda sido escrito e muito menos alguma carta doutrinária.
No caminho para Jerusalém, uma viagem de quase 500 quilômetros, e segundo o comentarista Wagner Gaby: “A igreja da Fenícia tinha sido fundada por crentes que tinham fugido de Jerusalém (At.11.19); Samaria tinha sido evangelizada por Filipe (At.8.5). Em vez de ficarem alarmados com as notícias da conversão dos gentios, esses crentes expressaram grande alegria. Os crentes espirituais, que não são desencaminhados por sentimentos sectários, sempre se alegram ao saber de conversões (Fp.1.15-18)”. As boas novas de salvação do outro tinham que despertar em nós alegria e não um sentimento de pesar independentemente de quem quer que seja, um traficante, um travesti, uma feminista ou um ateu. Até porque Deus salvou você, então ele pode salvar qualquer um.
Assim chegaram em Jerusalém, sendo bem recebidos pela igreja, pelos apóstolos (Pedro, Tiago [irmão de Jesus], e talvez alguns dos apóstolos ainda vivos) e presbíteros (anciãos) e assim relataram mais uma vez “tudo o que Deus havia feito por meio deles” (At.15.4 – NVT). Então alguns dos irmãos que pertenciam a seita dos fariseus (mas ainda assim ‘cristãos’) se levantaram e disseram: ‘É necessário que os convertidos gentios sejam circuncidados e guardem a Lei de Moisés [613 mandamentos], ou seja, já não é apenas uma questão ritual, é todo pacote envolvido. O gentio teria que se tornar praticamente um judeu em seu exterior e isso iria fatalmente acabar com a igreja pois a grande maioria não se submeteria a isso. Seria humilhante demais.
O escritor e maior especialista em Novo Testamento F. F. Bruce diz assim dessa passagem: “Os gentios deveriam ser admitidos na congregação da mesma maneira que os prosélitos eram admitidos na comunidade judaica, através da circuncisão e da obediência a toda a lei mosaica”. Estes fariseus estavam totalmente imersos pelo Pentateuco, e não tinham lido e entendido suficientemente os profetas. Se tivessem lido e entendido, teriam reconhecido que o ensino de Paulo era uma dedução lógica do ensino dos profetas (Os.6:6; Am. 5:21-24; Mq.6:6-8) que tinham declarado claramente que Deus preferia mais a justiça ao ritual (Ez.36:25-27; Jr.31:31-34) que haviam demonstrado a natureza espiritual da verdadeira religião: este é um assunto do coração e não da obediência legal. Mas havia uma escassez de profetas em Israel na época de Jesus, e o legalismo [farisaísmo] reinava com supremacia”. Hoje não é muito diferente.
Mais uma vez houve grande contenda. Imagine que em uma igreja com a maioria de gentios já havia dado problema; agora imagine uma igreja com a maioria de judeus, muitos deles já guardavam a lei, então era fácil querer isso para os outros também. Nessas horas é preciso que um líder com uma posição firme se levante. Esse líder não foi Tiago, irmão do Jesus, provável líder da igreja, mas Pedro, que fazia parte do círculo íntimo do Senhor (Tiago já havia morrido e João ainda era muito novo para ser ouvido, provavelmente).
Pedro inicia o seu discurso dizendo que Deus escolheu a ele entre todos para falar aos gentios a fim de que eles pudessem ouvir as boas-novas e crer. Mas esse ministério também foi dado a Paulo (Ef.3.8). Obviamente Pedro fez isso primeiro, na casa de Cornélio, mas Paulo fez isso de maneira mais contundente, como bem sabemos. Pedro reconhece que a obra é realizada por Deus, seja em corações de judeus ou de gentios e que Deus não faz distinção entre uma e outra pessoa. Logo após isso, Pedro diz com muita ênfase: “…vocês provocam a Deus sobrecarregando os discípulos gentios com um jugo que nem nós nem nossos antepassados conseguimos suportar”. E então emenda: “ Cremos que todos, nós e eles, somos salvos da mesma forma, pela graça do Senhor Jesus” (At.15:10,11 | NVT).
A Bíblia diz que todos ouviam em silêncio enquanto Paulo e Barnabé relatavam os sinais e maravilhas que Deus havia realizado por meio deles entre os gentios. É impressionante notar que contra fatos não há argumentos. Fica difícil argumentar quando se apresenta provas. Então Tiago tomou a palavra e fez uma ligação entre o que Pedro havia recebido e o que os profetas já haviam predito como Amós (Am.9.11,12) e assim Tiago julgou (v.19) que não deveriam perturbar (aborrecer) os gentios que estavam se convertendo com a exceção de 4 restrições: abster-se de alimentos oferecidos a ídolos, da imoralidade sexual, da carne de animais estrangulados e do sangue (uma 5ª questão em Gl.2.1-10).
Após essa decisão os ‘membros’ de Antioquia voltaram para casa, com a companhia de Judas e Silas acompanharam para como que ratificar tudo aquilo que tinham decidido em Jerusalém. Esses dois personagens ficaram um tempo em Antioquia e depois retornaram para Jerusalém. F. F. Bruce complementa dizendo o seguinte: “A inserção que contradiz o versículo 33 tinha, sem dúvida, a intenção de explicar por que Silas aparece novamente em Antioquia no versículo 40. Entretanto, como o sentido claro do versículo 33 é que tanto ele como Judas retornaram a Jerusalém, devemos inferir que mais tarde Silas partiu de Jerusalém para Antioquia”. Mas Paulo e Barnabé ficaram em Antioquia, ensinando e pregando a Palavra do Senhor.
Alguns dias depois, Paulo sugere a Barnabé que eles voltem a visitar as igrejas que haviam fundado durante a 1ª viagem missionária. Visitar nesse contexto, segundo o Comentário Beacon, significa inspecionar, examinar e depois visitar. Barnabé então aconselhou que levassem consigo a João Marcos, que Paulo foi diametralmente contrário. Finalmente as coisas chegaram ao seu clímax e tal contenda houve entre eles que acabaram por se separar (aqui, alguns estudiosos vão dizer que isso foi permitido pelo Espírito Santo, para que fossem em duas frentes em vez de uma, mas eu sou da opinião de que uma briga nunca pode ser interpretada como a vontade plena de Deus). Fato é que essa separação não foi permanente (1Co.9.6; Cl.4.10) e João Marcos também acabou por recuperar a confiança de Paulo, mencionando-o como um de seus cooperadores (Fm.24) e útil para o ministério (2Tm.4.11).
Barnabé então leva consigo o seu sobrinho João Marcos e assim navegam para Chipre. Segundo o Comentário Beacon: “Este era o seu antigo território de origem, e Barnabé não é mais mencionado no livro de Atos. Segundo a tradição, ele permaneceu em Chipre até a sua morte. É possível que já estivesse envelhecendo, e esta tenha sido a sua última viagem. Também pode ser que não tivesse correspondido aos rigores das longas jornadas de Paulo na Europa”.
Paulo escolheu para si a Silas, e foi uma sábia escolha. Silas era membro da igreja de Jerusalém, além de ser cidadão romano, assim como Paulo. E assim partiram para a chamada 2ª viagem missionária. Segundo o Comentário Beacon: “A primeira necessidade era certificar-se de que os gentios convertidos dessa província romana (Síria et Cilicia) estavam confirmados (fortalecidos) na fé e estabelecidos em Cristo. Paulo havia evangelizado esta área logo depois de sua conversão (Gl.1:21) e era hora de confirmar o seu trabalho. Não há dúvida de que Paulo e Silas leram para os gentios cristãos a carta do Concílio de Jerusalém, encorajando-os a gozar da sua liberdade em Cristo. Se hoje você não tem que cortar o prepúcio, guardar o sábado e comer carne de porco, agradeça a decisão tomada no concílio de Jerusalém no capítulo 15 de Atos dos Apóstolos.
Bibliografia
GABY, Wagner. A Igreja dos gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Editora CPAD. Rio de Janeiro. 2026. 1ª edição.
PENNA, Romano. As primeiras comunidades cristãs – Pessoas, tempos, lugares, formas e crenças. Editora Vozes. Petrópolis – RJ. 2017.
BEITZEL, Barry J. Novo Atlas da Bíblia – Geografia – Arqueologia – História. Edições Vida Nova. São Paulo. 1ª edição. 2017.

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