
Lição 09 – Coragem para testemunhar: Paulo diante da multidão Por: Geisel de Paula Texto base: Atos dos Apóstolos 21.27,28,30,31,33,39,40;...
Lição 02 – A porta da fé se abre para os gentios
Por: Geisel de Paula
Texto base: Atos dos Apóstolos 13.44-52
A grande obra da Missão tem início em Chipre, terra natal de Barnabé (At.4.36), e era natural que ele quisesse começar a obra por lá. Ficava situada a cerca de 100 km da costa da Síria e cerca de 160 km de Antioquia. Essa viagem durou um período de aproximadamente dois anos que ocorreu entre 46 e 48 d.C. Saulo nesta época era assistente de Barnabé. Depois de pregarem em Salamina, principal cidade da ilha, fizeram missão atravessando a extensão da ilha, pregando pelas sinagogas. Alguns helenistas já a tinham evangelizado (At.11.19). Segundo o comentarista Wagner Gaby: “A missão entre os gentios tem, assim, um sentido tanto positivo como negativo. Isso porque Deus quer missão entre os gentios (positivo), e essa missão tornou-se necessária porque os judeus negaram o evangelho (negativo) (vide Rm.9-11). Entretanto, convém notar que Paulo continua indo primeiro aos judeus mesmo depois de ter-se dirigido aos gentios”. Quem pode julgá-lo? Nós sempre nos apegamos ao que nos deixa mais confortáveis e acomodados. Indo de leste para o oeste, chegaram a Pafos, a cerca de 145 km.
Eles atravessaram a ilha pregando a Palavra de Deus. Como deve ser uma pregação com intuito de salvar vidas? Gaby: “A missão em Chipre lembra-nos de que evangelizar exige movimento, planejamento e obediência à direção do Espírito Santo”. Ao chegar em Pafos, nos informa Gaby: “Em Pafos, os missionários encontraram um judeu mágico, encantador, feiticeiro e falso profeta chamado Barjesus, cujo segundo nome era Elimas, pelo qual era conhecido — nome de origem árabe que significa “mágico” ou “bruxo” (ver Dt.18.9-11; Gl.5.20,21; Ap.22.15). Elimas ocupava um cargo oficial na administração do procônsul Sérgio Paulo, principal governante de Chipre, o qual era considerado varão prudente, homem sensato”.
Lembro-me de um pastor chamado Samuel Bezerra, na época, da Assembleia de Deus, tinha uma pregação cujo título era: “Deus é bom, o problema é a caravana que vem atrás”. O Evangelho de Jesus é lindo, a maneira de comunicar é simples, mas o problema está naqueles que atrapalham fazendo ruído na comunicação que desejamos transmitir. A Bíblia diz que o procônsul Sérgio Paulo procurava muito ouvir a Palavra de Deus. Havia uma resistência da parte de Elimas, procurando apartar da fé o procônsul. Isso acontece muitas vezes na comunicação da Mensagem. Geralmente isso acontece por motivos pessoais e de interesse próprio. Era interessante para Elimas que Sérgio Paulo não se convertesse, pois isso o prejudicaria. Isso prejudicaria os seus negócios e os seus interesses. Talvez esse seja um dos atos mais egoístas de todos. Negar que algo grátis, totalmente pela graça, seja impedido de chegar ao coração de uma alma sedenta por interesses escusos.
Saulo percebeu o engano e a malícia do coração de Elimas. Ele era um perturbador dos caminhos do Senhor. Assim, Paulo chama de ‘filho do Diabo [ele que era filho de Jesus] e inimigo de toda a justiça’, e ora para que Elimas que conseguia enxergar lá na frente, fique cego, sem ver o sol por algum tempo (quem sabe Saulo quisesse que Elimas tivesse a mesma experiência que ele mesmo teve, de olhar para dentro de si e ver que não existia nada de bom). Isso de certa forma ajudou na completa conversão de Sérgio Paulo que creu maravilhado da doutrina do Senhor. Talvez o primeiro governante cristão da história. Não sabemos qual foi o fim de Elimas, se acabou se convertendo ou não.
Depois disso, os missionários chegaram novamente no continente, atual Turquia, na cidade de Perge, pequena cidade um pouco mais para o interior (At.13.13). Foi justamente aí que João Marcos apartou-se deles voltando para Jerusalém, para a casa de sua mãe. Chegaram assim a Antioquia da Pisídia onde foram a uma sinagoga onde Paulo pregou sobre Jesus dando um amplo contexto do Antigo Testamento começando em Êxodo. Segundo o comentarista Wagner Gaby: “O discurso de Paulo pode ser resumido a um tipo de panorama histórico que visa arraigar a vinda de Jesus na sucessão real de Judá e para demonstrar que a carreira de Jesus cumpria a profecia. O sermão termina com um apelo aos ouvintes no sentido de não repetirem o erro do povo de Jerusalém que rejeitaram a Jesus”.
Após a sua prédica, os judeus saíram da sinagoga (v.42), mas os gentios permaneceram para implorar aos missionários que lhes pregassem mais sobre esta verdade no sábado seguinte. Segundo Gaby: “Os ouvintes gentios responderam, em grande parte, de maneira mais favorável do que os ouvintes judeus: “E, no sábado seguinte, ajuntou-se quase toda a cidade a ouvir a palavra de Deus” (At.13.44). Os judeus não podiam suportar que os gentios fossem iguais a eles em Cristo (At.13.45; 1Co.12.13; Gl.3.28; Cl.3.11). Contradiziam os argumentos dos cristãos e blasfemavam de Jesus Cristo”. No sábado seguinte, a Bíblia diz que quase toda a cidade se reuniu para ouvir a Palavra de Deus. Parece que só os judeus não estavam interessados em ouvir. Ao ver o sucesso da empreitada de Paulo, os judeus cheios de inveja, contradiziam o que Paulo falava, contradizendo e blasfemando. Ou seja, não bastava argumentar, quando este acabava, partiam para a blasfêmia.
Neste momento as coisas ficaram claras para Paulo e Barnabé: os judeus nunca aceitariam de bom grado o Evangelho da graça de Deus. O desejo dos dois era que os judeus se convertessem de seus maus caminhos, mas como o coração deles era duro e preferiam negar a graça, rejeitar o Caminho, Paulo e Barnabé tomaram a decisão (acertada, em minha opinião), de partir para os gentios, como na verdade Deus já havia designado: “Eu te pus para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até os confins da terra” (At.13:47). A salvação está disponível para os que creem, independentemente de quem quer que seja, judeu ou gentio.
A Missão em Icônio, Listra e Derbe (At.14)
Assim foram para a cidade de Icônio. Não sei se pela força do hábito, o que eles procuram lá na cidade novamente? Uma sinagoga de judeus. Ao pregarem a mensagem salvífica novamente, creram, segundo a Palavra, uma grande multidão, não só de judeus mas de gregos (gentios). Mas isso de alguma forma desagradou alguns judeus. A pergunta é: por quê?
Funciona mais ou menos assim: Vamos imaginar que eu tenho um terreno, um lote de 100 m² para capinar. Eu contrato alguém fazer o serviço por um pagamento de dois mil reais. Acertamos o valor e o tempo, das seis da manhã às seis da tarde, com direito a uma hora de almoço. Tudo certo, a pessoa inicia o serviço, mas ao meio-dia, durante o almoço, eu percebo que o lote não será capinado em tempo. Por isso, eu contrato outra pessoa para trabalhar das 13 horas até às 18 horas por dois mil reais. Informo ao primeiro trabalhador, que acha injusta a minha decisão. Então eu pergunto se ele acha justo que eu lhe pague quatro mil reais pelo seu trabalho, se não seria demais pelo serviço proposto. O trabalhador diz que sim. Então eu pergunto se na verdade o senso de injustiça que está sentindo é que eu deveria pagar menos ao 2º trabalhador. Ele então concorda afirmativamente. Então, o problema de injustiça para o 1º trabalhador não é eu pagar o que foi combinado, mas o de eu fazer o que eu quero com o meu dinheiro e pagar ao 2º trabalhador a mesma quantia. Isso é exatamente o que Jesus trabalhou na parábola dos trabalhadores da vinha (Mt.20.1-16). Era exatamente isso que os judeus sentiam ao ver que os gentios tinham o mesmo ‘pagamento’ que eles.
É por isso que a maior oposição que Paulo enfrentou durante o seu ministério foi a de judeus que não aceitavam de forma alguma a nova fé. Alguns estudiosos vão dizer que era esse o espinho na carne de que Paulo fala, o fato de que seus próprios compatriotas serem os seus maiores algozes. Isso foi tão forte no sul da Galácia que quando Paulo prosseguiu na viagem teve que escrever sua epístola aos Gálatas. Aqui em Icônio vemos isso acontecendo: judeus incitaram e irritaram, contra os irmãos, os ânimos dos gentios. Mas os apóstolos continuaram com ousadia falando acerca do Senhor e sinais e prodígios os seguiam. Como os ânimos se levantaram ficando quase insustentável, o povo se dividiu e ameaçaram os apóstolos de apedrejamento, e devido ao motim que se levantou, Paulo e Barnabé precisam sair de Icônio e ir para Listra e Derbe, cidades da Licaônia, a 32 km de distância, e ali pregaram o Evangelho. Aqui, não há menção de sinagogas. No versículo 4 Lucas informa a palavra apóstolos para se referir a Paulo e a Barnabé. Essa é a primeira referência de apostolado fora dos doze, mas não será a última. Alguns estudiosos vão ver diferença entre o colégio apostólico dos doze (com Matias no lugar de Judas Iscariotes), e o apóstolo visto como um missionário como nos demais casos, inclusive este.
Havia entre a multidão um varão coxo desde o nascimento, impossibilitado de andar, ou seja, fisicamente impotente, do ponto de vista humano, ele sofria de uma doença em que não havia cura na medicina. Quando Paulo o fitou viu que ele tinha fé para ser curado, diferente do coxo na porta Formosa em Jerusalém. Assim, a ordem foi dada: “Levanta-te direito sobre os teus pés. E ele saltou e andou”. Nesse momento, a população licaônica da cidade teve uma percepção equivocada de quem seriam aqueles dois personagens diante deles. Achavam que os deuses tinham descido até eles. Chamaram Barnabé de Júpiter e a Paulo de Mercúrio, porque este era o que falava. De tão entusiasmados que estavam, falavam em sua língua materna, licaônica, e por conta disso demorou um pouco para que Paulo e Barnabé entendessem o que estava acontecendo, mas quando perceberam, fizeram questão de se opor enfaticamente considerando o fato uma blasfêmia, e fizeram questão de corrigir esse equívoco grotesco.
“Nós também somos homens como vocês” – disse Paulo. Ele apelou para a sua humanidade. Mas a verdade é que deu trabalho para convencerem aquela população a não oferecerem sacrifícios a eles. O milagre foi tão grande e tão notório que eles foram condicionados a pensarem assim. É por isso que um milagre não pode nunca exceder a importância da Palavra de Deus (v.18). Alguns judeus de Antioquia e de Icônio , convenceram a multidão, que apedrejou a Paulo e o arrastaram para fora da cidade dando-o como morto. Como pode uma população ir de achar que você é Deus para achar que você é digno de uma das piores penas de morte possível? A resposta talvez esteja na mentira que estipularam. Agora, como pode uma mentira ir contra a cura visível de um coxo de nascença? Outro fator interessante é de que apedrejaram apenas a Paulo e não a Barnabé. Por que será? Desconfio que o ódio por Paulo era maior devido ao que ele era (judeu devoto discípulo de Gamaliel) e o que se tornou (o maior nome do Cristianismo).
O Comentário Bíblico Beacon ressalta assim o final do capítulo. “O versículo 22 trata de “Como Conservar os Convertidos”: 1. Fortalecendo a alma; 2. Exortando à firmeza; 3. Prevenindo sobre as tribulações. Agora, uma certa dose de organização sempre é necessária para preservar a continuidade de qualquer movimento. Esses primeiros missionários adotaram uma estrutura simples, que lhes era familiar nos círculos judeus, de nomear um grupo de anciãos (23) em cada congregação. A palavra “ordenar” já provocou infindáveis discussões. Uma boa tradução seria “nomeado” (ASV, NEB, etc.). O verbo grego é cheirotoneo, que vem de cheir, “mão”, e teino, “esticar”; i.e., “esticar a mão”. Seu significado original era “votar esticando a mão”,” como era feito na ecclesia de Atenas, ou assembleia livre de cidadãos eleitores. Aparentemente, esta é a conotação da palavra na única passagem onde ocorre no Novo Testamento (2Co.8.19). Este termo também foi usado com um sentido mais genérico de “nomear”. No retorno para Antioquia, eles relataram a igreja tudo aquilo quanto Deus havia realizado.
Bibliografia
GABY, Wagner. A Igreja dos gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Editora CPAD. Rio de Janeiro. 2026. 1ª edição.
PENNA, Romano. As primeiras comunidades cristãs – Pessoas, tempos, lugares, formas e crenças. Editora Vozes. Petrópolis – RJ. 2017.
BEITZEL, Barry J. Novo Atlas da Bíblia – Geografia – Arqueologia – História. Edições Vida Nova. São Paulo. 1ª edição. 2017.

Lição 09 – Coragem para testemunhar: Paulo diante da multidão Por: Geisel de Paula Texto base: Atos dos Apóstolos 21.27,28,30,31,33,39,40;...

Lição 08 – Despedida em Éfeso – Entre lágrimas e alertas Por: Geisel de Paula Texto base: Atos dos Apóstolos...

Lição 07 – Quando o Espírito sopra em Éfeso Por: Geisel de Paula Texto base: Atos dos Apóstolos 19.1-12 ...

Lição 06 – A sua suficiência da graça na cidade de Corinto Por: Geisel de Paula Atos dos Apóstolos 18.1-11...

Lição 05 – Cristo entre os filósofos: O Deus Desconhecido se revela Por: Geisel de Paula Texto base: Atos dos...

Lição 04 – O Espírito que nos guia para além das fronteiras Por: Geisel de Paula Texto base: Atos dos...

Lição 03 – A graça que alcança a todas as nações Por: Geisel de Paula Texto base: Atos 15.1-5; 28,29,36-39...

Lição 02 – A porta da fé se abre para os gentios Por: Geisel de Paula Texto base: Atos dos...

Lição 01 – O chamado para os gentios Por: Geisel de Paula Texto base: Atos dos Apóstolos 13.1-12 Jesus...
Metodologia de Ensino Bíblico
Escola Bíblica Dominical
Inteligência Emocional Cristã
Domínio Próprio e Autocontrole
Liderança Cristã
© Todos os Direitos Reservados a Capacita EBD / Site criado por: Artsaction (11) 96945-2310