
Lição 09 – Coragem para testemunhar: Paulo diante da multidão Por: Geisel de Paula Texto base: Atos dos Apóstolos 21.27,28,30,31,33,39,40;...
Lição 06 – A sua suficiência da graça na cidade de Corinto
Por: Geisel de Paula
Atos dos Apóstolos 18.1-11
Já no versículo 1 do capítulo 18 nós somos informados de que Paulo partiu de Atenas e chegou a Corinto, cidade a cerca de 96 quilômetros de distância. O comentarista Wagner Gaby pontua com precisão que: “Paulo chega a Corinto após momento de aflição, cansado e abalado: perseguido em Filipos (At.16.19-24); expulso de Tessalônica (At.17.5-10); hostilizado em Bereia (At.17.5-10); e ridicularizado em Atenas (At.17.32; cf. 1Co 2.3). Paulo não chegou a Corinto como um herói invencível, mas como um servo frágil sustentado pela graça”. E esse seria o seu principal foco nessa cidade.
Embora Atenas já tinha perdido muito de sua glória de outrora, Corinto estava pujante no cenário mundial, sendo o centro do comércio, localizada em um istmo que ligava a parte continental da Grécia ao Peloponeso, no sul. A cidade era tão atinada ao comércio que possuía dois portos, um ocidental e um oriental. Sua população na época variava entre 150 mil e 800 mil habitantes, dependendo da fonte histórica. População esta composta por cidadãos livres, escravizados e comerciantes de várias partes do Império Romano. Ela perdia em tamanho apenas para Roma, Alexandria e Antioquia.
Mas aí começavam os problemas, pois, segundo o Comentário Beacon tinha uma fama ruim, sendo o maior centro de imoralidade de todo o Império Romano, o que não era pouco: “Mas essa cidade também era famosa por seu baixo índice de moralidade, e, ser de Corinto, significava ser moralmente corrupto (ou “passar a ser de Corinto era o mesmo que passar a ser corrupto”). Diziam [Estrabão] que o templo de Afrodite abrigava mais de mil prostitutas sagradas. Como a imoralidade fazia parte do culto religioso, não é de admirar que a moral fosse deplorável sob todos os aspectos”.
O autor Romano Penna contribui: “Paulo esteve pela primeira vez em Corinto por um período de um ano e meio entre o final do ano 50 e meados do ano 52, quando lá fundou a comunidade cristã (At.18,1-18). Ele retornaria para uma visita rápida durante a sua estada em Éfeso, mas teve uma amarga experiência (2Co.2.1-11), e então se deteria por lá uma última vez antes de retornar a Jerusalém (At.20.2-3; Rm.16.23)”. E ainda pontua: “Não há Igreja do século I cuja vida interior nos seja tão informada quanto a de Corinto. Mas, ao mesmo tempo, deve-se reconhecer que nenhuma outra deu tanto trabalho a Paulo quanto essa”. Mas como o próprio Deus disse a Paulo: “Tenho muito povo nesta cidade” – (At.18.10). A graça não escolhe ambientes tranquilos; ela manifesta-se nos piores cenários. Eu e você somos a maior prova disso. Foi essa sublimidade que Paulo usou para pregar na cidade, diferente do que fez em Atenas (1Co.2.1-5 – NVT).
Paulo se juntou a um judeu chamado Áquila e a sua esposa Priscila, que em outras referências é chamada de Prisca (Rm.16.3; 1Co.16.19; 2Tm.4.19). Parece que, de ambos, ela tinha o caráter mais forte, pois seu nome geralmente precede o do marido. O Comentário Bíblico Beacon dá uma clareada no assunto: “Lucas nos dá uma explicação da razão por que Áquila e Priscila haviam deixado a capital do império: Cláudio mandara que todos os judeus saíssem de Roma. Este é provavelmente o decreto mencionado por Suetônio em sua obra Life of Claudius (25,4) — “Ele (Cláudio) expulsou os judeus de Roma porque estes estavam em um estado de permanente tumulto por instigação de um tal “Chrestus” (provavelmente, uma redação errada de “Christus“, ou Cristo). Isto aconteceu no ano 49 d.C., um ano antes da chegada de Paulo a Corinto. Como a conversão de Áquila e Priscila não foi mencionada aqui, parece que eles já eram cristãos antes de saírem de Roma”.
“E como era do mesmo ofício” (fazedor de tendas, ou em outras versões, coureiros, ou trabalhadores de couro), Paulo morou e trabalhou com eles. Beacon novamente: “Além de trabalhar neste ofício durante a semana, Paulo disputava — “fazia discursos” — na sinagoga e convencia — “estava persuadindo”, um processo gradual — a judeus e gregos. Parece que a maioria das sinagogas da Dispersão de Corinto (se não todas), eram frequentadas por gentios e judeus”. Então Silas e Timóteo acabaram se juntando a ele e Paulo se dedicando apenas a Palavra tentava convencê-los (judeus) de que Jesus era o Cristo. Muitos dos judeus se opuseram ao que Paulo testemunhava, provavelmente clamando ‘anátema Jesus’.
Paulo então sacudiu as suas vestes como um ato figurado de renúncia total. Mais uma vez vemos Paulo dizendo que parte para os gentios. Mas ele já não tinha dito isso? Sim, mais de uma vez. Mas quem pode culpá-lo? Ele desejava que os seus compatriotas recebessem a Cristo como Messias. O anúncio do Evangelho seria muito mais facilmente compreendido por um público que já tinha conhecimento do Deus verdadeiro do Antigo Testamento. Um gentio precisaria ser convencido de muito mais coisas e com mais argumentos do que um judeu ou um prosélito. Fato é que Deus já havia dito que o seu ministério seria entre os gentios e não entre os judeus, onde ele só encontrou inveja e oposição.
Então, quando Paulo foi expulso da sinagoga, entrou na casa de um homem chamado Tito Justo, um cidadão romano que servia a Deus (prosélito) e cuja casa estava ao lado da sinagoga (coincidentemente mais uma vez Paulo se via ligado ao Judaísmo). “E Crispo, o líder da sinagoga, e toda a sua família creram no Senhor. Muitos outros em Corinto também ouviram Paulo, creram e foram batizados” (At.18:8). Foi quando Paulo teve uma nova visão onde Deus lhe dizia para continuar a anunciar e não se calar pois seria com ele e ninguém lhe faria mal “pois tenho muito povo nesta cidade” e ficou ali 18 meses ensinando a Palavra de Deus.
Mais uma vez os judeus se levantaram concordemente (unidos nesse propósito) e assim levaram Paulo diante de Gálio, procônsul da Acaia para ser julgado. Ele era novo no cargo e os judeus sentiam que podia ser persuadido. Mas qual seria a acusação formal? O convencimento de converter pessoas de maneira contrária à lei judaica. Esse argumento era muito frágil juridicamente, pois diante do direito romano não havia contravenção pois a adoração de vários deuses era considerada aceita pelos tribunais. Se eles tivesse sugerido de que os cristãos não reivindicassem César como um deus, podiam ter mais sucesso, mas a alegação deles foi considerada fraca ao que Gálio disse: “Ouçam, judeus! Se sua queixa envolvesse algum delito ou crime grave, eu teria motivo para aceitar o caso. Mas, como se trata apenas de uma questão de palavras e nomes e da sua lei, resolvam isso vocês mesmos. Recuso-me a julgar essas coisas” (At.18.14,15 | NVT). E assim os expulsou do tribunal. Sobrou para o novo chefe da sinagoga, Sóstenes, que foi espancado pelo grupo de judeus, provavelmente porque o plano não havia funcionado.
O apóstolo Paulo então parte para Éfeso passando pela Cencréia, onde raspou a cabeça, de acordo com o costume judaico de marcar o fim de um voto, que deve ter alguma relação com o voto dos nazireus com duração mínima de 30 dias e com o raspar dos cabelos, este era oferecido no templo em Jerusalém. Paulo deixou o casal Priscila e Áquila ali, e foi a sinagoga debater com os judeus. O casal queria que Paulo ficasse com eles mais tempo, mas Paulo recusou, zarpando de Éfeso para o porto de Cesareia e dali subiu a Jerusalém onde visitou a igreja. Em seguida, voltou para Antioquia. “Depois de passar algum tempo ali, voltou pela Galácia e pela Frígia, visitando e fortalecendo todos os discípulos (At.18:23 | NVT).
Enquanto Paulo fazia essas visitas em muitos lugares, o trabalho em Éfeso crescia sob a liderança de Priscila e Áquila e com a chegada de um judeu chamado Apolo, orador eloquente e exímio conhecedor das Escrituras. A Bíblia diz que ele pregava a Jesus com profundo entusiasmo e exatidão, embora só conhecesse o batismo de João. Apolo tinha conhecimento de Jesus, mas não do Pentecostes. Quando Priscila e Áquila viram esse ministério, o chamaram e lhe explicaram com mais exatidão o caminho de Deus. Não nos é dito se Apolo recebeu o batismo com o Espírito Santo. Mas é fato de que ele percorreu a Acaia, e a todos os lugares que ia, tratava de refutar os judeus em debates públicos com fortes argumentos, usando as Escrituras (Antigo Testamento), demonstrava-lhes de que Jesus era o Cristo. Por isso, muitos estudiosos vão dizer que Apolo é o provável autor da Epístola aos Hebreus, pois ela nada mais é que uma defesa de que Jesus é o Messias esperado, e eu sou propenso a concordar com essa opinião. Assim terminamos o capítulo 18.
Bibliografia
GABY, Wagner. A Igreja dos gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Editora CPAD. Rio de Janeiro. 2026. 1ª edição.
PENNA, Romano. As primeiras comunidades cristãs – Pessoas, tempos, lugares, formas e crenças. Editora Vozes. Petrópolis – RJ. 2017.
BEITZEL, Barry J. Novo Atlas da Bíblia – Geografia – Arqueologia – História. Edições Vida Nova. São Paulo. 1ª edição. 2017.

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