
Lição 09 – Coragem para testemunhar: Paulo diante da multidão Por: Geisel de Paula Texto base: Atos dos Apóstolos 21.27,28,30,31,33,39,40;...
Lição 01 – O chamado para os gentios
Por: Geisel de Paula
Texto base: Atos dos Apóstolos 13.1-12
Jesus morreu pela sua Igreja. Ressuscitou ao 3º dia e ascendeu ao céu depois de 40 dias. Dez dias depois o Espírito Santo desceu sobre as quase 120 pessoas que estavam reunidas no cenáculo. Essa foi uma das últimas promessas feitas por Jesus estando com seus discípulos em Atos 1.8 – “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”. Primeiramente eles deveriam permanecer em Jerusalém, pois a promessa tinha um endereço, um CEP, um logradouro. Depois, que não se preocupassem com tempos e estações, mas que receberiam poder, para quê? Com um único objetivo: o de ser testemunhas tanto em Jerusalém, como na Judeia, e em Samaria e até os confins da terra. Percebam que o ato de testemunhar (marturios), de pregar a Palavra nos quatros cantos da terra.
Essa parte parece que eles não assimilaram muito bem. Quem pode julgá-los não é mesmo? Os cultos na ‘congregação’ de Jerusalém deviam ser muito bons e muito concorridos. Como sair de um ambiente tão espiritual e instigante? Eles apenas foram ficando, e a promessa precisava ser cumprida. Por isso, dizem os estudiosos, que quando não se obedece a Atos 1.8 acaba por acontecer Atos 8.1 – “E também Saulo consentiu na morte dele. E fez-se, naquele dia (o dia da morte de Estevão por apedrejamento), uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém (única?); e todos (até o capítulo 4 tinham 5 mil membros, depois eles pararam de contar) foram dispersos pelas terras da Judeia (At.8.4) e da Samaria (At.8.14 – ainda por perto, missão local e não transcultural), exceto os apóstolos (os 12)”. Interessante notar que o pivô que deu o start da perseguição foi justamente um jovem chamado Saulo de Tarso, que viria a ser o apóstolo Paulo. Pergunta: Será que se estourasse uma perseguição aqui no Brasil isso deixaria a igreja mais forte ou mais fraca, na opinião de vocês?
Só com o diácono Filipe, pregando em algum local entre Jerusalém e Gaza, ministra a Palavra a um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, que depois de convertido e batizado em águas, levou o Evangelho para o país do continente africano. E Filipe continuou pregando em Azoto e chegou a Cesareia. Quando chegamos ao capítulo 9, há um acontecimento que vai mexer com toda a estrutura judaico-cristã. Um para pior e outro para melhor. A conversão de Saulo de Tarso. Aí precisamos dar um intervalo de três anos em que Saulo passa na Arábia, logo após a sua conversão, sendo um tempo de revelação, conhecimento, isolamento e preparação espiritual, antes de iniciar suas grandes viagens missionárias. Mas há ainda um capítulo muito importante que necessita ser contado. No capítulo 10 há o episódio do centurião Cornélio, um gentio que recebe a graça, e Pedro precisa engolir o orgulho e aceitar que o Evangelho é para todos, indistintamente. Segundo Romano Penna, “A narração lucana nada registra de uma certa viagem de Pedro, narrada posteriormente nas Pseudoclementinas, segundo as quais ele teria partido de Cesareia Marítima e, passando por várias estadas intermediárias (Dora, Ptolomaida, Tiro, Sidônia, Berito, Trípoli, Arado, Laodiceia), teria chegado finalmente a Antioquia onde teria obtido a cátedra (Recognitiones 4,1; 7,1-11.25; 10,68.71)”.
No capítulo 11 o Evangelho chega até Antioquia, pela boca daqueles que foram dispersos, mas ainda anunciando a Verdade que liberta apenas para os judeus (At.11.19). Até que alguns varões de Chipre e de Cirene, entraram em Antioquia e falaram aos gregos (gentios), anunciando o Senhor Jesus (At.11.20). Isso foi o início de um avivamento, cuja notícia chegou na congregação de Jerusalém, a igreja-sede. Barnabé então é convocado para descer ali e ver o que de fato está acontecendo. Quando lá ele chega, vê a graça de Deus em ação. Na mesma hora ele vai até a cidade de Tarso, em busca de Saulo, e levou-o para Antioquia. Voltou a Jerusalém, relatou o acontecido aos apóstolos, pediu sua carta de mudança e foi para Antioquia também. Com a fome na Judeia prevista por Ágabo, os recursos se inverteram, saindo de Antioquia com destino a Judeia e até Jerusalém.
O escritor Romano Penna, autor do livro “As primeiras comunidades cristãs”, disse o seguinte: “Na história da Igreja, Antioquia foi definida, com justiça, “a cidade das primeiras vezes” (cf. MARA, 2004). Com efeito, foi lá que o Evangelho foi anunciado pela primeira vez aos gregos pagãos; foi lá que pela primeira vez os discípulos de Jesus foram chamados de “cristãos”; e foi de lá que partiu pela primeira vez uma missão (rumo ao Ocidente) explicitamente desejada e documentada”.
No capítulo 12 a perseguição vai apertando, dessa vez trazendo consequências no colegiado apostólico, com a morte de Tiago, o Tiagão, irmão de João, líder da igreja. Também relata a prisão e a soltura de Pedro, de maneira sobrenatural e a morte de Herodes, por não dar glória a Deus. No último verso deste capítulo, relata o retorno de Saulo e Barnabé para Antioquia, onde levaram consigo também o jovem João Marcos. Até aqui nenhuma igreja ainda tinha se preocupado em levar o Evangelho a outras nações. Ainda não existia o que chamamos de Missão Transcultural. Interessante notar que não existe nenhuma carta, seja ela canônica ou não sobre a igreja de Antioquia, para que possamos ter uma ideia mais nítida do ambiente e do modus operandi local. Não existe uma Carta aos Antioquenos para que possamos ler e nos instruir a respeito. Confesso que teria curiosidade de ler uma carta dessa, assim como existe o desejo de ler a carta perdida aos Laodicenses (Cl.4.16).

O início da Missão Transcultural
Somente no capítulo 13 do livro de Atos dos Apóstolos é que vemos esse despertar começar a acontecer. A partir de agora, Pedro perde o protagonismo e entra em cena o personagem Saulo de Tarso, que viria a ser o apóstolo Paulo. Isso cerca de anos depois da descida do Espírito Santo no cenáculo em Atos 2. Como diz o ditado: antes tarde do que nunca, ou, antes tarde do que mais tarde, não é mesmo? As igrejas de hoje deixaram de investir em missões transculturais, quando muito, investem apenas em Missões urbanas. Pergunta: A igreja de hoje está cumprindo efetivamente o ide de Jesus em Atos 1.8?
Segundo o comentarista Wagner Gaby, “Antioquia da Síria estava situada na extremidade norte da Síria, em frente à Ásia Menor e Europa, na margem do rio Oronte, 50 quilômetros distante do mar e a 500 quilômetros de Jerusalém. Fundada por Seleuco I Nicátor (c. 358-281 a.C.), um dos generais de Alexandre em 300 a.C., e cresceu a ponto de contar com numerosa população nos tempos do apóstolo Paulo, incluindo muitos judeus, que obtiveram o direito de cidadania desde tempos remotos. Não se sabe ao certo quão grande era a cidade nos dias de Paulo, mas, com base na informação dada por Crisóstomo, deve ter contado com uma população de cerca de 800 mil habitantes”. Foi nessa cidade que os seguidores de Cristo foram chamados de cristãos pela primeira vez (At 11.26). O termo cristão é usado apenas três vezes no Novo Testamento (ver At.11.26; At.26.28; 1Pe.4.16).
Wagner Gaby ainda corrobora: “Antioquia era famosa por causa de Inácio, o bispo mártir, aproximadamente 110 d.C., e pela sua escola e grandes ensinadores. A história da igreja em Antioquia, a igreja-mãe entre os gentios, tinha uma distinção de que desfrutava durante muitos anos. Um dos seus bispos mais ilustres foi João Crisóstomo, grande escritor de comentários bíblicos, que exerceu notável influência sobre o desenvolvimento doutrinário da igreja cristã”. No meu ponto de vista, toda igreja deve gerar líderes e ensinadores para o Reino de Deus. Toda igreja deve amadurecer nesse sentido.
A congregação de Antioquia tinha, segundo os estudiosos, cerca de cinquenta membros. Neste pequeno grupo, havia profetas e mestres, sem especificar quem é o quê. Segundo Gaby, “A função dos profetas era essencialmente hortatória (do latim hortari, que significa “incentivar” ou “encorajar”), ao passo que a função de mestres era essencialmente didática. Eram eles: Barnabé [55 anos], Simeão, que tinha por sobrenome Níger [negro], Lúcio de Cirene (estes eram profetas), Manaém, colaço [irmão de leite] de Herodes, o Tetrarca, e Saulo [45 anos] (estes eram mestres) (At.13.1), ao todo, cinco pessoas. Entre elas, a mais importante, neste contexto, é Barnabé, e o menos notável dos cinco, era Saulo. Questiono quando teria sido o incidente de Gl.2.11-14.
A Bíblia relata que enquanto eles estavam adorando o Senhor e jejuando, o Espírito Santo se manifestou. A adoração a Kyrios substituindo tetragrama YHWH, referente a Jesus Cristo é a essência dessa adoração nesse contexto, ao que tudo indica, e jejuando, prática que vem atrelada a oração, parte da vida comum dessa igreja. Segundo a Bíblia de Estudo Plenitude: “Os líderes da Igreja Primitiva chegavam a decisões somente depois de jejuar e orar. Em Antioquia, os profetas e mestres jejuavam e oravam, buscando a direção de Deus para a Igreja”. Será que os líderes eclesiásticos de hoje continuam com a mesma prática? Ou será que as decisões a nível ministerial são mais políticas e partidárias?
O Espírito Santo ordena que se separe para a obra missionária dois dos cinco melhores do quadro que eles tinham disponíveis. Barnabé e Saulo. Um profeta e um mestre. A igreja precisa ceder para missões ou para o que for, sempre aquilo que ela tem de melhor e não de pior ou quem não faz diferença. É o princípio da excelência. Se sai um daqui, precisamos entender que Deus enviará outro, e que a obra de Deus não será de forma alguma prejudicada. Orando ainda mais e jejuando ainda mais, a igreja impôs a mão sobre eles, e assim foram enviados. A missão dessa vez era transcultural, em outra nação, outro povo, outra língua, outros costumes, ou seja, tudo diferente. Assim eles navegaram para Salamina, na ilha de Chipre, depois a cidade de Pafos, onde confrontaram o mago Elimas, que depois da repreensão do agora Paulo, ficou cego por um determinado tempo. O governador Sérgio Paulo foi o primeiro cristão a governar um local determinado (Chipre).
Bibliografia
GABY, Wagner. A Igreja dos gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Editora CPAD. Rio de Janeiro. 2026. 1ª edição.
PENNA, Romano. As primeiras comunidades cristãs – Pessoas, tempos, lugares, formas e crenças. Editora Vozes. Petrópolis – RJ. 2017.
BEITZEL, Barry J. Novo Atlas da Bíblia – Geografia – Arqueologia – História. Edições Vida Nova. São Paulo. 1ª edição. 2017.

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