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Lição 08 – Isaque: Herdeiro da promessa
Por: Geisel de Paula
Texto base: Gênesis 26.1-5, 12-14,24,25
Para terminarmos de contar sobre a vida de Abraão, vemos que depois do episódio pedido de sacrifício de Isaque que não se cumpriu, algum tempo depois, Sara morre, com 127 anos. Abraão com 137 anos. Abraão ainda viveria 38 anos. Abraão quis comprar para si uma sepultura para enterrar sua esposa, e a comprou de Efrom, filho de Zoar, que quis doar o terreno, mas Abraão insistiu na compra, para que ninguém pudesse jogar nada em seu rosto no futuro, e comprou o terreno por 400 siclos de prata, o equivalente hoje a 53 mil reais. O campo de Macpela foi o local escolhido, em frente de Manre, que é Hebrom, na terra de Canaã.
No capítulo 24 vemos Abraão preocupado em achar uma esposa digna para o seu filho Isaque, que já tinha 40 anos (Gn.25.20). Era o filhinho da mamãe e agora estava inconsolável pela perda de sua mãe. Então Abraão agiu mandando seu servo jurar com a mão debaixo de sua coxa que encontraria uma esposa para seu filho de sua terra e de sua parentela, agora, 65 anos depois. Albardou dez camelos cheios de tesouros e partiu para a Mesopotâmia, para a cidade de Naor. E aquele servo fez um trato com Deus, que seria bem difícil alguém cumprir. Que a mulher desse de beber para ele (fácil) e para os seus dez camelos (difícil), pois cada camelo bebe em média 100 litros de água em 15 minutos, ou seja, ela demorou mais de duas horas para dar mil litros de água para os dez camelos. Prova difícil mas Rebeca fez aparentemente de bom grado sem esperar nada em troca, pelo simples fato de ajudar alguém, coisa difícil até hoje.
O servo revelou a donzela o seu verdadeiro intuito e ela correu para contar a sua mãe. Quando o seu irmão Labão viu o pendente e as pulseiras que Rebeca havia ganhado do estranho, cresceu o olho e foi logo ao encontro dele. História contada, presentes dados, no outro dia o servo quis ir embora, e foram perguntar a Rebeca se ela queria seguir aquele estranho, e ela disse “irei”. Quando estavam chegando nas terras de Abraão, Isaque havia saído ao capo para orar ao Senhor e ali se deu o encontro: “E Isaque trouxe-a para a tenda de sua mãe, Sara, e tomou a Rebeca, e foi-lhe por mulher, e amou-a. Assim, Isaque foi consolado depois da morte de sua mãe” (Gn.24.67).
Aí no capítulo 25 de Gênesis acontece algo muito inusitado. Abraão se casa novamente. Parecia o irmão Zé Mário querendo se casar com 99 anos. Seu nome era Quetura. Pasmem os senhores, Abraão ainda teve seis filhos com ela. Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Suá. E Abraão os despediu e eles se foram para a terra oriental. Depois disso Abraão finalmente morre, segundo a Bíblia, em boa velhice, velho e farto de dias, e foi congregado ao seu povo (Gn.25.8). Ismael e Isaque sepultaram o seu pai em Macpela, provando que até então não havia nenhuma rixa entre eles.
Segundo o comentarista Elinaldo Renovato: “Depois que Abraão morreu, com cento e setenta e cinco anos de idade (Gn.25.7), Isaque e seu irmão, Ismael, o sepultaram no mesmo túmulo onde Sara fora sepultada, na cova de Macpela, que Abraão comprara de Efrom, entre os filhos de Hete (Gn.25.9-10). Mas Deus não o desamparou após a morte do pai. Pelo contrário, o abençoou como abençoou Abraão, para cumprir as promessas que lhe fizera, de manter o concerto com seus descendentes. “E aconteceu, depois da morte de Abraão, que Deus abençoou a Isaque, seu filho; e habitava Isaque junto ao poço Laai-Roi” (Gn.25.11), lugar onde o anjo se encontrou com Hagar. Ismael habitava no Deserto de Parã.
Isaque se casou com Rebeca, “filha de Betuel, arameu de Padã-Arã”. Por coincidência, sua esposa também era estéril, como o fora sua mãe; porém, como filho de Abraão, Isaque também era homem de oração. Ele orou instantemente por vinte anos até que Deus decidiu abrir a madre de Rebeca. A benção se tornou em tormento porque os filhos lutavam dentro de seu ventre, a tal ponto que desesperou a mãe que preferia morrer e foi perguntar ao Senhor, e Deus lhe respondeu: “Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas: um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor” (Gn.25.23).
Na hora do parto descobriram ser gêmeos. Nasceu o primeiro, ruivo e cabeludo, por isso chamaram seu nome Esaú (peludo). Depois saiu o seu irmão, agarrado ao calcanhar de Esaú, por isso se chamou seu nome de Jacó (aquele que segura o calcanhar). Os meninos cresceram. Esaú se tornou perito caçador, e Isaque gostava de um churrasco, talvez por isso ele se tornou o preferido do pai. Já Jacó era varão simples e caseiro, ficando mais tempo na companhia de Rebeca, talvez por isso era o preferido da mãe (Gn.25.28). Esse é um problema que atinge a muitas famílias até hoje. A preferência dos pais em relação aos filhos. Isso tem gerado muitas revoltas e traumas na vida dos filhos. Mas, sinceramente, não sei se é pior passar por isso ou ser filho único, e achar que o mundo inteiro gira em torno de si mesmo. Talvez o segundo exemplo seja ainda pior do que o primeiro. É o que vemos hoje com famílias cada vez menores.
A promessa de Deus teria que se cumprir e na juventude dos dois aconteceu um episódio aparentemente inocente, mas não o foi para Deus (Gn.25.29-34). Uma sopa de lentilhas e uma fome descomunal, junto com a oportunidade de dar uma de esperto de Jacó. O preço foi pedido, a primogenitura foi vendida por nada (Eis que estou a ponto de morrer, e para que me servirá logo a primogenitura?) (Gn.25:32). O texto e capítulo terminam dizendo que Esaú desprezou a sua primogenitura. Foi o maior erro da sua vida! Ele não foi enganado. Renunciou a sua primogenitura de modo consciente e imediatista (Gn.25.27-34). Para eles pode não ter parecido nada demais, mas foi bem grave para Deus (Ml.1.2,3; Rm.9.13).
A fome apareceu novamente na terra e dessa vez Deus deixou ordens claras para que Isaque não descesse ao Egito mas que ficasse na terra em derredor pois Deus seria com ele e o abençoaria e assim Isaque foi as terras de Gerar, lidar com Abimeleque, rei dos filisteus. E mais uma vez o problema em relação a mulher envolve essa família. Os filisteus colocaram os olhos em Rebeca. Lugar e pessoas diferentes, mas o mesmo problema. Que coisa, não? Questionado sobre quem era Rebeca, Isaque mentiu dizendo que ela ara sua irmã. Mas Abimeleque, rei dos filisteus, percebeu que Isaque brincava com Rebeca, talvez com carícias e intimidades (Gn.26.8).
Mesmo assim Isaque prosperou na terra dos filisteus, colhendo cem medidas (cem vezes mais do que semeou) e isso despertou a inveja do povo filisteu contra Isaque (talvez daí venha a semente da rixa entre filisteus e judeus), e assim entupiram e entulharam os poços que Abraão tinha cavado. Depois separou-se de Abimeleque e foi ao vale de Gerar e ali cavou mais poços achando ali águas vivas (Gn.26.19). Os filisteus contenderam por conta do poço e Isaque teve que abrir mão. Chamaram-no de Eseque, o poço da contenda. Então cavaram outro poço (Sitna, que significa inimizade), e porfiaram contra ele. E cavou outro poço, e a esse não porfiaram, por isso deu o nome de Reobote, que significa alargamento. E dali subiu para Berseba onde Deus confirmou mais uma vez suas promessas, e edificou ali um altar e cavou ali mais um poço, em Berseba, que significa poço do juramento.
O comentarista Elinaldo Renovato assim comenta: “Como visto anteriormente, Abraão construiu quatro altares (em Siquém, entre Betei e Ai, em Hebrom e no Monte Moriá). Em sua jornada, Isaque só construiu um altar [Berseba] após as promessas que Deus lhe fizera, depois de construir vários poços. “Então, edificou ali um altar, e invocou o nome do Senhor, e armou ali a sua tenda; e os servos de Isaque cavaram ali um poço” (Gn 26.25).
A vida de Isaque nos mostra que nada é fácil. Mesmo com a prosperidade de Deus, precisamos fazer a nossa parte em fazer as coisas acontecerem. Vão tentar de tudo para nos fazer parar mas precisamos insistir em fazer a coisa certa, mesmo quando injustiças acontecem conosco. Todos podem agir de forma errada comigo, mas isso não me dá o direito de agir errado com ninguém, pois estaria apenas pagando com a mesma moeda, me rebaixando ao nível deles. O extraordinário é agir diferente como Isaque agiu, aprendendo a resiliência, ou seja, a capacidade de suportar o sofrimento, até que Deus alargou os seus caminhos e assim tudo melhorou. E Deus continuou o abençoando grandemente, confirmando que ele era o herdeiro das promessas.
Referências bibliográficas
https://pt.frwiki.wiki/wiki/Patriarches_%28Bible%29
VOGELS. Valter, Abraão e sua lenda. Edições Loyola. São Paulo. 2000
RENOVATO. Elinaldo, Editora CPAD. Rio de Janeiro. 2026. 1ª Edição.

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